Curitiba - As denúncias de um caixa 2 na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), atingiram judicialmente pela primeira vez o vice-prefeito e candidato ao governo pelo PSDB, Beto Richa. Ontem, o promotor eleitoral Vaclir Natalino da Silva pediu a reabertura de uma ação movida pelo PT que acusa Beto e Cassio de abuso de autoridade e de poder econômico nas eleições 2000. O governador Jaime Lerner (PFL) também é citado na ação.
O pedido de investigação judicial sobre Lerner, Cassio e Beto data de janeiro de 2000, quando o PT acusou os atuais governantes de utilizarem funcionários municipais e estaduais para pedir votos na campanha de Cassio. O próprio Valclir da Silva pediu o arquivamento do processo, por julgar as provas apresentadas pelo PT não conclusivas.
Entretanto, o promotor decidiu reabrir o processo, que ainda não foi julgado pelo juiz Espedito Reis do Amaral, após a conclusão do inquérito policial sobre a existência de um caixa 2 na campanha do PFL. ''Há um entendimento jurídico que defende que é possível somar-se uma denúncia de abuso de poder econômico a uma ação já existente de abuso de poder político ou de autoridade. No caso, o governador Jaime Lerner não será afetado por essa medida, pois não é citado no inquérito. Mas as evidências de um caixa 2 reunidas pela polícia justificam a reabertura do processo contra o prefeito e seu vice'', comentou Valclir da Silva.
A Polícia Federal concluiu o inquérito policial no dia 23 de julho, indiciando o prefeito Cassio Taniguchi por crime eleitoral, ao não registrar gastos de campanha junto à Justiça Eleitoral. Embora o teor do inquérito não tenha sido revelado, investigações preliminares do Ministério Público estadual estimavam que a quantia total do caixa 2 podia chegar a R$ 17 milhões.
No dia seguinte, os advogados de Cassio conseguiram cancelar o indiciamento do prefeito com uma liminar concedida pelo juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Jaime Stivelberg. Em seu despacho, o juiz argumentou que o indiciamento era um ''constrangimento ilegal'' que não traria nada de útil ao caso.

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