Curitiba - O vice-presidente José Alencar (PRB) disse ontem em Curitiba que o presidente do PT, Ricardo Berzoini, confirmou que o valor de R$ 1 milhão pago a sua empresa, a Coteminas, não foi contabilizado pelo partido. Alencar disse ainda que o presidente do PT lamentou o fato, protagonizado durante a antiga coordenação do partido. Segundo Alencar, a Coteminas atende diversos partidos políticos e possui notas fiscais de toda a negociação com o PT.
''Foi pago e não foi contabilizado. A gente não encontra nada registrado no partido'', teria dito Berzoini ao vice-presidente. Alencar explicou que de fato houve o fornecimento de 2,250 milhões de camisetas ao PT no final do ano passado pela Coteminas e que o partido já seria um cliente antigo. ''As duplicatas foram divididas em duas parcelas (dezembro de 2004 e janeiro de 2005). Não foi pago e o PT pediu para estender o prazo. Em maio aconteceu o pagamento de R$ 1 milhão por meio de um depósito em dinheiro na conta da companhia e foi emitido o recibo'', explicou Alencar.
O vice-presidente afirmou que a diretoria da empresa nunca se preocupou em saber a origem do dinheiro, já que era apenas um cliente que estava pagando. Alencar negou que tenha qualquer preocupação com a denúncia e também não acha que exista algum intuito de afetar sua imagem, até porque ''não sairá candidato a nada nas próximas eleições''. ''Nós não somos vítimas porque o caixa 2 não afetou em nada a companhia'', ressaltou. ''É uma pena que isto esteja acontecendo porque, para nós, o PT é um cliente.''
A dívida do PT com a Coteminas pela compra das camisetas ainda é de R$ 11 milhões. Segundo o vice-presidente, a cobrança desse valor já está sendo negociada com o partido. Ele descartou a possibilidade de uma cobrança judicial, mesmo com o fato de o pagamento estar um ano atrasado.
O pagamento de R$ 1 milhão não-declarado feito pelo PT à Coteminas veio à tona depois que o banco Bradesco avisou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda e que registra as transações financeiras de vulto realizadas no Brasil, sobre o depósito. No nome do depositante aparece um dos CNPJs usados pelo PT. Como o partido não declarou o gasto, surgiu a suspeita de que o dinheiro pode ser fruto de um caixa 2.
Alencar esteve ontem em Curitiba para dar uma palestra sobre a política econômica brasileira a empresários, a convite da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

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