Abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) e mudanças internas na Sercomtel envolvendo troca de cargos. As sugestões foram feitas por vereadores de Londrina para o encaminhamento da denúncia de vazamento de informações, contas telefônicas e documentos sigilosos na empresa de telefonia da cidade. O fato veio à tona na semana passada quando a imprensa divulgou que a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) estava apurando a denúncia. Contas telefônicas detalhadas do prefeito Nedson Micheleti (PT) e do secretário de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, foram encontradas com o detetive particular Paulo Rodrigues, detido por porte ilegal de munição mas já liberado pela polícia.
O presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), disse estar preocupado com a denúncia e enfatizou que o prefeito (Nedson Micheleti - PT) ''tem que tomar alguma posição porque é a idoneidade da empresa que está em jogo''. Ele mencionou, inclusive, a possibilidade de mudar pessoas de cargo, até da própria diretoria. ''A mudança envolve tudo'', reafirmou. Para o presidente da Câmara, caso as medidas não reflitam em resultado a contento, os próprios vereadores podem ''entrar no jogo''.
''Tomei conhecimento da denúncia no debate (promovido pela TV Tarobá durante o segundo turno das eleições) e achei engraçado como o outro candidato (Antonio Belinati - PSL) sabia desse possível vazamento de informações e nós não sabíamos'', declarou Bonilha. Belinati disputou o segundo turno com Nedson e levantou a suspeita ao vivo ao questionar o prefeito sobre um possível processo contra o presidente da Sercomtel, João Rezende. A empresa abriu uma sindicância interna para apurar o fato em 6 de outubro, mas só confirmou para a imprensa quando a PIC divulgou que houve um vazamento de documentos. Até então, a denúncia era negada com veemência.
O vereador Renato Araújo (PP) criticou o prefeito e disse que a denúncia é séria e por isso merecia a abertura de uma Comissão de Inquérito. ''Mas não serei eu que vou começar com isso. A coisa ainda está morna, o prefeito tinha que ter pedido uma comissão'', considerou.
Tercílio Turini (PSDB) argumentou que o caso já está sendo analisado pelo Ministério Público (MP) e por isso não seria necessária a abertura de mais uma comissão na Câmara. ''Fiquei chocado com o que aconteceu, é uma questão extremamente preocupante'', observou Turini. Ele acrescentou que autoridades da cidade podem estar sendo vigiadas e a Câmara quer saber ''o que será feito após a conclusão dos trabalhos''.
De Brasília, onde estava em busca de recursos para a cidade, Nedson rebateu as críticas dos vereadores e justificou que os cargos de diretoria e presidência da Sercomtel são ''problema do prefeito''. ''Quem nomeia cargo na Sercomtel é o prefeito e se eu não estivesse tranquilo com o quadro teria mexido'', argumentou. O prefeito disse ainda que oficialmente só sabe da sindicância interna da Sercomtel e não da investigação da PIC.
Nedson já demonstrou descontentamento com a PIC por não ter sido informado de pronto sobre a existência de contas detalhadas dele e de um secretário nas mãos de um detetive particular. ''A prefeitura está fazendo o que precisa ser feito'', garantiu.

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