Uma denúncia contra o vereador Gaúcho Tamarrado (PDT), feita informalmente na sessão da Câmara Municipal de Londrina (CML) de terça-feira, interrompeu a tramitação do projeto de lei do Executivo que previa a doação de área de 1,9 mil metros quadrados, avaliada em R$ 658 mil, à empresa Juntas Santa Cruz.
Um cidadão identificado como Hilderlei Lessa, que acompanhava a sessão das galerias, acusou Gaúcho de ter cobrado propina do empresário para votar favoravelmente ao projeto. Primeiramente, o denunciante procurou o vereador Júnior dos Santos Rosa (PSC), que estava mais próximo do local onde Lessa estava. Posteriormente, o parlamentar levou o fato ao conhecimento do presidente da Câmara, Rony Alves (PTB).
"Diante disso, resolvemos pedir a suspensão da tramitação do projeto. Não podemos votar nenhuma matéria sobre a qual haja qualquer tipo de suspeita", disse o chefe de gabinete do prefeito, Márcio Stam, que rotineiramente acompanha as sessões legislativas. Ainda ontem, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) demonstrou preocupação com o fato. "Protocolamos hoje (ontem) um ofício pedindo esclarecimentos sobre o fato. O projeto não será votado enquanto pairar qualquer dúvida sobre a lisura do procedimento", disse o líder do prefeito, Professor Fabinho (PPS).
Ao saber da acusação, Gaúcho Tamarrado disse ter ido à delegacia (ainda na terça-feira) para registrar boletim de ocorrência contra Lessa. "Por injúria, calúnia e difamação. Nunca vi esse sujeito e quero que ele prove os absurdos que está dizendo".
A Comissão de Ética da Câmara também foi acionada, pelo menos informalmente. Gaúcho disse ter pedido "que eles investiguem, que façam essa pessoa apresentar as provas, que chamem os empresários". O corregedor da Câmara, Péricles Deliberador (PMN), afirmou que nada recebeu oficialmente. "Até agora, o que temos são boatos".
O vereador pedetista disse que visitou com frequência a empresa, "porque eu conheço os proprietários, porque fui lá pedir votos como o fiz para várias empresas e empresários da cidade". Gaúcho foi candidato a deputado estadual nas últimas eleições.
A Juntas Santa Cruz foi fundada em 1978 e está localizada no Parque das Indústrias Leves. O terreno que ganharia com o projeto de lei suspenso é contíguo a atual sede. A intenção, segundo justificativa do Executivo, é expandir as atividades, investindo R$ 1 milhão, gerando mais 10 empregos diretos e prevendo faturamento anual de R$ 12 milhões.
A FOLHA não conseguiu contato ontem com Lessa e com os donos da Juntas Santa Cruz.

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