Curitiba - A acusação de que a Lava Jato teria descoberto e ignorado que uma empresa do atual ministro da Economia, Paulo Guedes, fez pagamentos a um escritório de fachada, suspeito de lavar dinheiro para esquema de distribuição de propinas a agentes públicos no governo do Paraná, repercutiu nessa terça-feira (20) na AL (Assembleia Legislativa). Conforme reportagem da Folha de S.Paulo, a força-tarefa da operação em Curitiba apresentou denúncia sobre o caso em abril de 2018 e não incluiu Guedes ou outros representantes de sua empresa no rol de acusados.


Ao relembrar os 500 dias de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na tribuna do Parlamento, o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), falou que os membros da força-tarefa são seletivos e os chamou de "heróis de pés de barro". “É a empresa de ninguém mais ninguém menos que o ministro da Fazenda. Faço parênteses aqui. A força-tarefa decretou o pagamento de R$ 561 mil, mas só acusou outras firmas. Disse que focou provas robustas de que a apuração continua. Mas pro Lula valia o powerpoint e convicções. Para o Paulo Guedes, provas robustas”, afirmou o petista.

De acordo com o jornal, o repasse de R$ 560,8 mil foi feito em 2007 pela GPG Consultoria – da qual Guedes foi sócio-administrador entre novembro de 2005 e outubro do ano passado – à Power Marketing Assessoria e Planejamento, operada por um ex-assessor do ex-governador Beto Richa (PSDB). Quando o caso veio à tona, o hoje ministro já integrava a campanha de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) à Presidência da República. “Seletivamente, o Ministério Público e o juiz de ocasião Sergio Moro fecharam os olhos para o senhor Paulo Guedes”, completou Veneri.

Questionado sobre o conteúdo da reportagem, o presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), que é também dirigente do PSDB estadual, disse desconhecer a informação. “Tomei conhecimento pela imprensa. Primeiro, não posso fazer qualquer tipo de avaliação, porque não conheço as peças processuais e nem sei se o ministro Guedes está dentro do processo. Se o Moro entendeu que não poderia enquadrá-lo, é porque não há provas robustas contra ele. Então eu posso falar apenas pelo que eu li, não pelo conhecimento de qualquer procedimento investigatório”, comentou.

O líder oposicionista foi o único a se pronunciar em plenário. A FOLHA também perguntou ao deputado Delegado Francischini (PSL), recordista de votos e uma das principais lideranças do PSL no Paraná, o que pensa sobre o caso. O parlamentar respondeu, contudo, que não leu a matéria e que não poderia emitir opinião sem conhecer o conteúdo da denúncia.

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