Denúncia envolve Cecílio em área irregular
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segunda-feira, 11 de janeiro de 1999
Mônica Kaseker 
O empresário radicado no Paraná Cecílio do Rego Almeida volta a ser destaque na mídia esta semana, na reportagem de capa da revista Veja, como o maior latifundiário do mundo - mas numa área irregular. A matéria, assinada pelo editor Policarpo Junior, que em 94 ficou seis horas retido no apartamento do empreiteiro em Curitiba, informa que Cecílio tem 7 milhões de hectares de pura selva no Sul do Pará, obtidos irregularmente. Terras do Incra, da Funai e até das Forças Armadas estão incluídas na área.
O latifúndio teria reservas de diamante, ouro e cassiterita, além de 60 milhões de metros cúbicos de madeira com a maior reserva de mogno do Planeta, avaliada em US$ 7 bilhões. Tudo isso por apenas R$ 600 mil pagos aos supostos donos, os irmãos Sebastião, Umbelino e Emiliano de Oliveira, que, por sua vez, teriam comprado as terras da família Acioly da Silva, cujos registros de posse eram falsificados. O preço do hectare foi de R$ 1,14. O restante seria pago quando o empreiteiro recebesse do Estado do Paraná um precatório devido.
Em Altamira, o Estado do Pará pediu a nulidade da transação e já ganhou a primeira fase. Por isso, as terras estão interditadas. Segundo a revista, Cecílio tem um projeto para a área: hotéis de luxo, aeroporto e trilhas turísticas. No final da matéria de oito páginas, um recado do empresário: Pode mandar dizer que não dou entrevista para a Veja.
O mal estar entre o empreiteiro e a revista teve seu ponto alto em abril de 94. O então governador Álvaro Dias denunciou ao repórter Policarpo Junior que Cecílio Almeida grampeava seu telefone. Na ocasião, a chefe da sucursal da Veja em Curitiba, Marleth Silva, tentou entrevistar o empresário, mas não conseguiu. Na semana seguinte, Policarpo recebeu a missão. Foi quando Marleth conseguiu marcar a entrevista.
Ao ver que o Policarpo tinha vindo comigo, ele ficou muito nervoso e nos agrediu verbalmente. Depois disse que queria a presença de um delegado para que Policarpo repetisse todas as acusações, lembra Marleth. Como a polícia não atendeu ao chamado, foram seis horas de espera. Não considero um caso de cárcere privado, mas sim uma grande confusão, diz. Os dois só conseguiram sair depois que Policarpo ligou do celular para a Veja em Brasília. A polícia intercedeu, e o caso gerou uma investigação do MP. Em outubro passado, Marleth foi chamada a depor, mas foi dispensada. O processo deve ter caducado, mas acho que daria em nada, diz. A Folha tentou contato com Cecílio Almeida, mas foi informada que ele estava viajando.


