Maringá O ex-prefeito de Maringá, Said Ferreira, classificou ontem de ''equívoco'' a denúncia pelos crimes de responsabilidade, peculato e formação de quadrilha, protocolada anteontem pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. Ferreira afirmou que na próxima sexta-feira vai entregar para os meios de comunicação, uma defesa por escrito, com o objetivo de relatar o histórico de peculato durante a gestão (1993 a 1996) na Prefeitura de Maringá.
Na defesa, o ex-prefeito também deve apresentar o resultado de uma auditoria realizada a pedido dele no próprio patrimônio para informar que desde que deixou o Executivo, ocorreu uma redução nos bens. Ferreira não quis adiantar detalhes sobre a defesa, mas afirmou ser vítima pelo fato de ter sido o primeiro a denunciar na promotoria, os desvios de dinheiro da prefeitura e os indícios de enriquecimento ilícito por parte do ex-secretário de Fazenda, Luiz Antônio Paolicchi.
O ex-prefeito também contestou a promotoria que se apega a um depoimento de Paolicchi feito na Justiça Federal alegando que as ordens para os desvios partiam de Said Ferreira. ''O Paolicchi é réu confesso e não tem moral para acusar ninguém'', disse o ex-prefeito.
A denúncia criminal da promotoria envolveu outras 13 pessoas, entre elas, o ex-secretário Paolicchi e o doleiro londrinense, Alberto Youssef. As investigações demonstraram que entre 1993 e 1996 foram levados do cofre municipal cerca de R$ 32 milhões. O valor foi atualizado em 2001 quando a promotoria protocolou duas ações de improbidade administrativa contra Said, Paolicchi e Youssef, com pedido de ressarcimento do dinheiro.
Segundo a promotoria, parte do dinheiro público foi transformado em dólar por Youssef que utilizou laranjas e contas CC5 para remessa de dinheiro ao exterior. Paolicchi e Youssef também fazem parte da conexão que operou valores públicos em dólar na gestão do ex-prefeito Jairo Gianoto (1997 a 2000). Mais de R$ 100 milhões foram retirados do município e transformados em dólar e também utilizados na compra de bens, como de fazendas de Gianoto e Paolicchi, no Mato Grosso, além de carros, apartamentos, jatos, helicóptero e uma mineradora de água.

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