Denúncia é arquivada por falta de provas
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sexta-feira, 19 de setembro de 2003
Sid Sauer<br>Equipe da Folha 
Campina da Lagoa - A Câmara de Vereadores de Campina da Lagoa (100 km a sudoeste de Campo Mourão) aprovou esta semana o relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) e arquivou denúncia contra o prefeito Paulo Andreoli Gonçalves (PSDB). Ele era investigado sob a acusação de usar um ''laranja'' em uma fábrica de bloquete de concreto de sua propriedade para poder fornecer o material à prefeitura.
A relatora da CEI, vereadora Roseli Eduardo Félix (PSDB), argumentou que faltaram ''provas documentais'' para condenar o prefeito. O relatório dela, de 14 páginas, foi aprovado por 5 votos a 3. A oposição protestou e prometeu apresentar um outro relatório na sessão da próxima terça-feira. O vereador Jânio de Oliveira e Silva (PRP), que fez parte da CEI, já tem prontas mais de 300 páginas com denúncias contra Gonçalves.
''O próprio laranja prestou depoimento à CEI e confirmou que a fábrica de bloquete era do prefeito'', ressaltou o vereador César de Lima (PRP). O ''laranja'', no caso, é Miguel Fiori, que já havia denunciado o caso ao Ministério Público, em abril. A CEI também ouviu depoimentos de outros funcionários dizendo que a empresa pertencia a Gonçalves. Para a relatora, porém, faltaram documentos para provar essas ligações.
O assessor jurídico da Câmara de Campina da Lagoa, Edval Bueno, informou ontem que a Comissão Especial de Inquérito se encerrou com a votação do relatório e que não há mais como a oposição apresentar um novo documento a respeito. ''A Câmara acatou o relatório e o assunto está liquidado'', ressaltou. Ele admitiu apenas que nada impede que o documento seja encaminhado para o Ministério Público.
Gonçalves negou que seja dono da fábrica de bloquetes. Ele disse que apenas incentivou a criação de empresas no município e que, no caso de Fiori, o ajudou a administrar o negócio por ele ser ''uma pessoa muito simples''. A Câmara aguarda prazos regimentais para apurar a denúncia de que o prefeito também usa ''laranjas'' num posto de combustíveis. Segundo Gonçalves, o posto não é mais dele desde o ano 2000.


