Denúncia dos Requião agita a semana
O Senado realizou sessões durante todos os dias da primeira semana da convocação extraordinária do Congresso, mas as principais decisões foram tomadas pela Comissão de Constituição e Justiça. Na quarta-feira, a CCJ aprovou o projeto do contrato temporário de trabalho e possibilitou a leitura do parecer do relator Romero Jucá para a reforma administrativa, além de aprovar um projeto de repasse de R$ 45 milhões da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) para o metrô de Recife.
À tarde, depois do fim da reunião da CCJ, o plenário do Senado completou o trabalho feito pelos senadores da comissão e concedeu a urgência para que tanto o projeto do contrato temporário quanto o do empréstimo sejam votados já na terça-feira. No mesmo dia, o Senado iniciou os debates sobre a emenda constitucional que desvincula os militares dos servidores civis, além de aprovar quatro textos de acordos internacionais: com a Bolívia, com a Síria, com o Líbano e com as nações ibero-americanas.
Na quarta-feira, compareceram ao Senado 58 senadores; na quinta-feira, embora nada tenha sido votado (cumpriu-se o prazo para o segundo dia do debate sobre a emenda constitucional dos militares e o único dia de prazo exigido para a urgência do projeto do contrato temporário de trabalho), 59 senadores apareceram no plenário. Na sexta-feira também não se votou nada, mas a sessão serviu para a contagem do terceiro dia da discussão da emenda dos militares. Neste dia, foi registrada a presença de 34 senadores.
Além de correr para adiantar prazos, o Senado viveu grande agitação política nos dois últimos dias da semana. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) levou ao plenário uma fita gravada por seu irmão, o deputado Maurício Requião (PMDB-PR), na qual o chefe de gabinete interino do Ministério da Saúde, Marcelo Azalin, aunciou que não poderia liberar verbas de emendas orçamentárias dos Requião porque havia um problema político com eles no Palácio do Planalto. Azalin aconselhou Maurício Requião a procurar o ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos. Os Requião fazem oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso.
No último dia da semana, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) requereu a convocação dos ministros de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, e da Saúde, Carlos Albuquerque, para que prestem esclarecimentos no Senado sobre as denúncias de Requião. O requerimento, visto com certa reserva pelo governo, terá de ser votado pelo plenário. Requião acusou ainda o governo de estar tentando desmontar o PMDB, para destruir a possível candidatura do partido à Presidência da República.





