Denúncia derruba ministro de Lula
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Felipe Recondo<br>Agência Estado 
Brasília - O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra 15 acusados de envolvimento com o ''mensalão mineiro'' entre eles o ministro demissionário Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o empresário Marcos Valério. O procurador classificou o esquema como ''origem e laboratório'' do mensalão petista.
Azeredo e Mares Guia, os principais artífices do esquema, segundo o procurador, foram denunciados por peculato e lavagem de dinheiro. Outros 13 envolvidos foram denunciados pelos mesmos crimes. O ex-ministro e o senador, com a ajuda do então coordenador financeiro da campanha, Cláudio Mourão, e do candidato a vice-governador na chapa, Clésio Andrade, montaram, conforme a denuncia, uma engrenagem de desvio de pelo menos R$ 3,5 milhões de recursos públicos e lavagem de dinheiro para o caixa da campanha de Azeredo ao governo de MG em 1998.
A denúncia precipitou o pedido de afastamento de Mares Guia do governo. Walfrido, braço-direito na campanha, foi responsável por muitas das tarefas de campanha e mereceu bastante espaço na denúncia. Citado 50 vezes nas 80 páginas do documento, o ministro é descrito como uma das principais ''personagens do esquema'', ''organizador da campanha'' inclusive no aspecto financeiro e um dos mentores da engrenagem. ''Walfrido dos Mares Guia também era um dos responsáveis por indicar as pessoas que receberiam os recursos da campanha, fruto dos crimes descritos'', escreveu o procurador.
Foi Mares Guia responsável pela operação abafa destinada a calar outro membro da cúpula da organização, Cláudio Mourão, coordenador financeiro da campanha, que ameaçava revelar todos os crimes praticados se dívidas da campanha - em torno de R$ 1,5 milhão - que ficaram em seu nome não fossem quitadas.
''O risco era muito grande. Cláudio Mourão precisava ser neutralizado. Por solicitação de Eduardo Azeredo, a operação foi intermediada por Walfrido dos Mares Guia'', acusou o procurador.
Azeredo, por ser então o candidato, é apontado na denúncia como o principal beneficiário e articulador do esquema. ''Embora negue ter participado dos fatos, as provas colhidas, como se verá ao longo da denúncia, desmentem sua versão defensiva'', argumenta o procurador.
O quarto integrante da cúpula, Clésio Andrade, ex-vice do atual governador de Minas, Aécio Neves, é apontado na denúncia como ''o sócio perfeito'' para as atividades das empresas de publicidade de Marcos Valério. ''Empresário bem-sucedido e com vários contatos políticos, especialmente no estado de Minas Gerais, ele teria condições de alavancar os negócios de Cristiano Paz e Ramon Hollerbach (sócios das empresas de Valério). Em outras palavras, Clésio Andrade ofereceu os serviços delituosos de sua estrutura empresarial para a prática dos crimes de peculato, bem como de lavagem de capitais'', acrescenta.
Valério, por sua vez, é novamente o partícipe e responsável por dar ao dinheiro sujo um ar de legalidade. ''Marcos Valério optou por desenvolver suas atividades delituosas na área publicitária pela facilidade apresentada em tal setor para fraudar a execução de contratos e desviar recursos públicos'', afirma a denúncia.


