Denúncia de Suplicy é encaminhada à Procuradoria-Geral
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sexta-feira, 01 de junho de 2001
Das AgênciasDe Brasília 
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, encaminhou ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, as denúncias sobre corrupção no Banco Central que recebeu do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Na quinta-feira, durante o depoimento de Malan à Comissão de Assuntos Econômicos, Suplicy disse ao ministro que conhecia uma pessoa que poderia falar sobre o repasse de informações sigilosas do Banco Central para bancos de investimento.
As pessoas envolvidas o senador não esclareceu se são funcionários ou pessoas que ocupavam cargos de chefia teriam recebido dinheiro para repassar as informações durante o ano de 1998, antes da desvalorização do real. Malan ficou nervoso com as insinuações de Suplicy e pediu para que o senador revelasse nomes e fatos. Suplicy escreveu então uma carta para o ministro, dizendo que pediria ao seu informante que escreva o que sabe até a semana que vem.
Pedirei que, mantida a garantia de sua integridade, essa pessoa se identifique, disse o senador na carta que escreveu de próprio punho ao ministro. A carta do senador foi enviada ao procurador por Malan.
Na carta, o senador disse ainda que as informações repassadas pelo Banco Central teriam possibilitado operações altamente lucrativas a essas instituições (bancos). Em um ofício a Brindeiro, Malan disse que em tese o fato relatado pelo senador constitui ilícito penal. Encaminho-lhe o assunto para exame e adoção das providências eventualmente cabíveis, diz o ofício.
Suplicy informou ontem que não será possível apresentar esta testemunha. A pessoa não quer se apresentar porque ficou muito preocupada com tudo e prefere preservar sua integridade e de sua família, declarou o senador. Suplicy insiste, no entanto, que reservadamente as informações poderiam ser fornecidas e que se dispõe a funcionar como um intermediário para ajudar a esclarecer estes fatos.
Segundo o senador, a partir das informações que a testemunha lhe forneceu pretende fazer diversas indagações não só ao ministro Malan, mas também ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que estará no Congresso na próxima terça-feira. Tudo precisa ser melhor averiguado, insistiu.


