Brasília - O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota, pediu demissão ontem por não ter conseguido sustentar sua versão sobre as denúncias de sonegação fiscal. Documentos em poder do Ministério Público, da CPI do Banestado, do Ministério da Justiça e da Polícia Federal evidenciam que, embora ele não tenha conta no MTB Bank, de Nova York, Candiota não declarou movimentação financeira que passou pela instituição americana.
O governo optou por sacrificar o diretor, para esvaziar a possibilidade de uma crise envolvendo a diretoria do BC. Ontem à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de defender o presidente da instituição, Henrique Meirelles, em entrevista em Cabo Verde. ''Quero que todos vocês saibam que o Meirelles é um homem que detém a minha confiança'', afirmou. Lula também garantiu: ''Nada vai mudar no Banco Central e na equipe econômica.''
Meirelles negou mais uma vez que as denúncias sejam verídicas e afirmou que a decisão de afastar Candiota do cargo partiu do próprio diretor. O presidente do BC também negou que tenha ele próprio pensado em se afastar do cargo por conta das denúncias. Depois de cinco dias sem nenhuma manifestação pública de integrantes do governo a seu favor, Candiota anunciou sua saída do cargo ''em caráter irrevogável e imediato''.
Ontem, o presidente em exercício, José Alencar, no entanto, deu uma declaração dúbia sobre Meirelles. Perguntado se o episódio respingaria no presidente do BC, Alencar disse: ''Veja bem: a primeira pessoa que deve saber se isto respinga ou não é ele próprio''.
Um dirigente petista, comentou que Lula havia ficado ''tremendamente irritado'' com o envolvimento do presidente do BC em denúncias de sonegação fiscal, mas a despeito do desconforto causado, governo e PT consideram que o maior prejuízo seria a saída de Meirelles.
Para evitar estresse no mercado financeiro, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, encaminhou ontem mesmo o nome do economista Rodrigo Telles de Rocha Azevedo para substituir Candiota. Azevedo, que trabalhava como economista-chefe do banco de investimento Crédit Suisse First Boston, esteve na sede do BC em Brasília e conversou com representantes do governo. Como a indicação de Rocha Azevedo ainda deve ser aprovada pelo Senado e como a exoneração de Candiota é imediata, sua função será acumulada por outro diretor do BC interinamente.
O presidente nacional do PFL, o senador Jorge Bornhausen (SC), comparou a demissão do diretor de Candiota ao caso Waldomiro Diniz, o ex-assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu. Segundo Bornhausen, os dois eram homens de confiança do governo e foram alvo de escândalos. ''Mais uma vez fica comprovada a falta de autoridade do Governo Lula. Ninguém é demitido por irregularidades. E nenhuma irregularidade é investigada.''

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