Denúncia de grampo tumultua Assembléia
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terça-feira, 19 de abril de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão vinculado Ministério Público (MP) estadual, afirmou ontem em nota que ''a Secretaria de Estado da Segurança Pública possui um aparelho que permite interceptações telefônicas, o 'Guardião'.'' A afirmação foi feita depois que o líder do governo na Assembléia, Dobrandino da Silva (PMDB), disse ter sido informado pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, que o Paraná possui só quatro aparelhos oficiais de grampeamento telefônico e três deles estariam justamente com a PIC. A sessão da Assembléia ontem foi bastante tumultuada por causa das denúncias de grampos.
''O secretário disse que o aparelho existe na PIC de Curitiba, Foz do Iguaçu, Londrina e também no Ministério Público Federal e é usado só com autorização da Justiça. E ele disse que quem está usando agora é a Polícia Federal (PF) para apurar as denúnicas contra o tenente-coronel Valdir Copetti Neves'', afirmou Dobrandino. A PIC nega que tenha três aparelhos. Segundo nota oficial, o MP estadual possui apenas um aparelho simples, não o ''Guardião'', em Curitiba e que é usado somente com autorização judicial. ''O aparelho existente na PIC está à disposição do Poder Judiciário e do Poder Legislativo, para fiscalização de sua utilização, guardado o sigilo dos terminais interceptados, como prevê a lei'', afirma a nota.
Deputados da oposição protestaram ontem por causa das denúncias de grampos de telefones, chegando a causar confusão. O deputado Plauto Miró (PFL), sugeriu que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) seja instalada na Assembléia para apurar as denúncias feitas por Copetti Neves.
O deputado José Scarpelini (PSB), depois de uma denúncia de que o ''Guardião'' estava no Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce), da Polícia Civil, queria ir até o local apreender a máquina. Ponderando que os deputados não têm poder de polícia, o presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), sugeriu que uma comissão fosse até a Polícia Federal pedir que se investigasse o caso. A sessão foi suspensa e ele, Scarpelini e o deputado Nereu Moura (PDMB) foram falar com o delegado da PF, Jaber Saadi. ''Ele nos deu uma lição. Só é possível investigar se a Justiça determinar. E isso só acontece se tivermos uma prova material, que não existe. Voltei com a conclusão que não há o que fazer. Cada um que se cuide quando falar no telefone'', afirmou Hermas Brandão.
O deputado Valdir Rossoni (PFL) também aqueceu a confusão e afirmou na tribuna ter recebido um CD pelo Correio com gravações provando que as conversas de várias autoridades, entre elas desembargadores e deputados, estão sendo grampeadas pela Secretaria de Segurança. O líder do governo afirmou que toda essa confusão feita pela oposição não tem justificativa e que isso está acontecendo porque as sessões estão sendo transmitidas por um canal de televisão.
Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Segurança não havia emitido nota oficial sobre a afirmação da PIC.


