Denúncia de extorsao contra empreiteiras será apurada
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domingo, 23 de setembro de 2001
João Domingos<br> Agência Estado<br> De Brasília 
O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), vai determinar a apuração da denúncia de que o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras Públicas, Damião Feliciano PMDB-PB), teria tentado extorquir empreiteiras. De acordo com a assessoria de Aécio, ele aguarda maiores esclarecimentos sobre o caso para depois determinar a abertura da sindicância. Se forem verdadeiras as denúncias, Damião poderá ter o mandato cassado.
Por causa das suspeitas sobre Damião, que teria tentado achacar as empreiteiras para evitar que seus nomes constassem do relatório final da CPI, os líderes dos partidos na Câmara rejeitaram o pedido para prorrogar os trabalhos da comissão. O deputado Damião Feliciano anunciou, por sua assessoria, que amanhã vai entregar à Mesa da Câmara seus extratos bancários para provar que não tem culpa de nada. Mas quer também que o relator da CPI, Anivaldo Vale (PMDB-PA), faça o mesmo.
''Acho que as empreiteiras deveriam ser ouvidas imediatamente e, se confirmarem a tentativa de achaque, o deputado Damião terá de ser cassado'', afirmou o deputado José Genoíno (PT-SP). ''Isso é o fundo do poço, é inadmissível''.
Nos últimos tempos, muitas CPIs têm sido motivo de escândalos. Há quatro anos, a Câmara fez uma CPI para apurar se o Escritório Central de Arrecadação de Direito Autoral (Ecad) fazia de fato a transferência do dinheiro para os artistas. Logo surgiram denúncias de que o relator da CPI, o ex-deputado Heraldo Trindade (PPB-AP), estaria tentando tirar vantagens de seu cargo. Trindade não foi punido, mas não conseguiu se reeleger.
Em seguida, outra CPI foimotivo de escândalo: a que investigou a instalação de bingos no País. Durante os trabalhos, circularam informações de que alguns dos seus integrantes, como o ex-deputado Marquinho Chedid (PSD-SP), extorquiam donos de bingos. Chedid envolveu-se ainda em outro caso rumoroso, conhecdo por PSDólares - em que deputados trocavam seus partidos pelo PSD, em troca de cerca de US$ 30 mil a US$ 85 mil.
Feitas as investigações, três deputados foram cassados por causa do escândalo da mudança de partido: Onaireves Moura (PR), Nobel Moura (RO) e Itsuo Takaiama (MS). As denúncias da compra de filiações foram feitas pelo senador Álvado Dias (PDT) e pelos deputados Jair Bolsonaro (PPB-RJ) e Osvaldo Reis (PMDB-TO).


