Quase dois meses após a posse do presidente da Câmara de Vereadores Genival Alves de Lima (PMDB) na prefeitura de Tuneiras do Oeste (45 km de Umuarama), em razão da cassação do registro de candidatura do prefeito eleito, Walter Luiz Ligero (PMDB), o processo eleitoral se agravou com denúncias de coação a testemunhas e a abertura de investigações contra a própria polícia civil. A realização de uma nova votação ainda não foi decidida pelo Justiça Eleitoral.
Os problemas começaram em 10 de dezembro, quando a juíza eleitoral, Roseli Geller Barcelos, atendendo a denúncia formulada pelo promotor Sérgio Roberto Martins, suspendeu a diplomação de Ligero ao condená-lo por se utilizar de dinheiro, cadeiras de roda e passagens rodoviárias para compra de votos.
Nessa semana, quatro dos eleitores citados no processo procuraram a promotora Nadir Emília de Melo - que substituiu Martins - e relataram que foram alvo de coação de agentes policiais para desmentir a compra de votos. Os eleitores, na maioria semi-analfabetos, alegam que foram levados para prestar depoimento com um ''delegado'' cujo nome não sabem indicar e que sofreram pressões para desmentir a compra de votos. O delegado teria se utilizado de palavrões e ameaças se não mudassem a versão.
A promotora Nadir de Melo oficiou à Polícia Civil para investigar o caso.
''Esse delegado, se foi ele que veio aqui, tem responsabilidade funcional e vai ter que responder se ficar comprovado isso. Não sei quem é ele, mas não se pode surgir do nada e fazer tudo que falaram que fizeram'', disse ela à FOLHA.
Por telefone, moradores de Tuneiras se mostraram indignados com o caso porque o delegado não é da região e as testemunhas não teriam sido intimadas oficialmente - mas recolhidas nas ruas e em casa e levadas, sem advogado, até a delegacia.
A reportagem identificou que o delegado citado pelos eleitores é Francisco Caricati, lotado no Grupo de Operações Especiais (COPE), na capital. Ele alegou que foi designado pela polícia para proceder a investigações de falso testemunho após denúncia apresentada ao órgão pelo ex-prefeito Walter Ligero.
''Fui designado para a investigação e fiz algumas acareações com essas pessoas. Duas delas se retrataram quando dissemos que se estivessem mentindo, poderiam responder pelo crime de perjúrio'', disse Caricati. Ele negou que tenha coagido, ameaçado ou xingado os eleitores.
O advogado Miguel Aranega Garcia, que defende o segundo colocado nas eleições municipais, Luiz Antônio Krauss (PTB), afirmou que, por se tratar de matéria eleitoral, eventual delito deveria ser investigado pela Polícia Federal (PF) - e não pela Polícia Civil. ''Pedimos cópia em Tuneiras dos depoimentos colhidos pelo delegado e fomos informados de que tudo foi enviado para Curitiba'', disse. O advogado informou ainda que pediu esclarecimentos sobre o caso à polícia civil.
A assesoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública foi procurada pela FOLHA, mas não retornou o contato. O Tribubal Regional Eleitoral (TRE) recebeu dois recursos de Walter Ligero, visando restabelecer seu registro de candidatura, mas eles ainda não foram julgados.

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