Denúncia de caixa 2 não é comprovada
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terça-feira, 23 de maio de 2006
Catarina Scortecci e Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O superintendente da PF no Paraná, Jaber Makul Hanna Saadi, disse que a prisão de Laércio Pedroso não deve ser vista como represália às denúncias de caixa dois na Itaipu. ''Ele vai ter todas as chances para provar o caixa dois. A Polícia Federal é apartidária. Nós estamos aqui para apurar os fatos, não para acobertá-los'', destacou. Ele lembrou que as prisões podem ser revertidas em preventivas que não têm prazo de validade para permitir que as investigações prossigam com os indiciados ainda detidos.
Segundo Saadi, Pedroso foi levado, na tarde de ontem, por agentes da PF ao escritório da Itaipu, em Curitiba, para apontar provas da existência do caixa dois, mas a tentativa fracassou.
Além do ex-funcionário da Itaipu Binacional, Laércio Pedroso, em Curitiba também foi preso Luis Geraldo Tourinho Costa, encarregado de intermediar contatos com empresários interessados nos serviços da quadrilha. No estado de São Paulo, foi preso o ex-funcionário da ABB, Luis Carlos Dias da Silveira Franco, conhecido como Lito, e Osvaldo Panzarini, funcionário da Alstom e ex-representante de um consórcio de empresas multinacionais, como ABB, Alstom, Mecânica Pesada, entre outras, junto à Itaipu Binacional.
Em Brasília, foi preso José Roberto Paquier, conhecido apenas como Beto, que assessora o senador Valdir Raupp (PMDB-RO). Na capital paulista, também foi preso José Della Volpe, diretor da Transportadora Della Volpe (conveniada pela Alstom/ABB), acusado de contratar os serviços de Pedroso e Tourinho, através de Lito.
A Folha fez contato com a Transpesa Della Volpe, mas foi informada por uma funcionária que não haveria ninguém da direção da empresa para falar sobre o assunto.
A Alstom, em nota oficial distribuída pela assessoria de imprensa, informou que a maioria das concessionárias de energia citadas na investigação da Polícia Federal é cliente da empresa e, por isso, policiais estiveram na sede da Alstom para averiguação. ''A Alstom está colaborando com todo o processo de investigação e tem o maior interesse que esta situação seja esclarecida o mais rápido possível'', prossegue a nota.


