Denúncia de caixa 2 inviabiliza Cassio
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domingo, 11 de novembro de 2001
Leandro Donatti<br>De Curitiba 
As investigações iniciadas na semana pelo Ministério Público estadual e federal, na busca de um caixa 2 de campanha, sepultam por ora os planos políticos do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, apontado como o nome mais forte do PFL para a sucessão do governador Jaime Lerner para as eleições 2002. O prefeito é o alvo principal da denúncia que esquentou os bastidores da política do Paraná.
Alvaro Dias (PDT), Ângelo Vanhoni (PT), Hermas Brandão (PSDB), Rafael Greca (PFL) e Roberto Requião (PMDB), que sonham em assumir o Palácio Iguaçu em janeiro de 2003, são os beneficiários diretos do que pode vir a se tornar um dos mais picantes escândalos políticos da história do Paraná. Sedentos de poder, eles passam a colher os dividendos da crise que assola o prefeito. Requião foi o primeiro a explorar o caixa 2.
O senador convocou uma coletiva na sede do PMDB, em Curitiba, para distribuir cópias do que poder ter sido o livro-caixa da campanha pela reeleição de Cassio. Requião é o principal nome do partido para a sucessão estadual. A possibilidade de concorrer novamente ao Senado não está descartada, mas enquanto não houver uma definição, o senador continua falando e agindo como candidato ao governo do Estado.
O deputado estadual Ângelo Vanhoni está concentrando suas energias numa briga judicial que pretende desencadear nos próximos dias, com o objetivo de cassar o mandato político do prefeito, nos mesmos moldes do que aconteceu com Antonio Belinati (PL), de Londrina. Derrotado por Cassio no segundo turno da eleição, Vanhoni quer transformar o desgaste vivido pelo prefeito em consolidação de votos. O PT perdeu para o PFL, no maior colégio eleitoral do Estado, por 26 mil votos.
O senador Alvaro Dias não é o mais empolgado com a denúncia feita pelo jornal ''Folha de S. Paulo''. Diferente dos demais adversários, ele não está se valendo do caso para fazer média junto aos eleitores, pelo menos aparentemente. Fontes ligadas ao senador garantem que ele está mais preocupado em restruturar o PDT, para torná-lo uma legenda viável na eleição de 2002, que com a crise pefelista. Expurgado do PSDB recentemente, Alvaro acompanha à distância as investigações do MP.
A denúncia de caixa 2 contra Cassio deu um impulso para o sonho do presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão. O deputado entrou no PSDB no mês passado disposto a construir seu nome ao governo. Na semana que vem, prova pela primeira vez o gostinho de ser governador. Assume o Palácio Iguaçu interinamente, durante viagem de Lerner e da vice-governadora Emília Belinati (PFL).
Hermas se consolida como o nome principal do PSDB na medida que a denúncia atinge Cassio, respingando, por tabela, no vice-prefeito eleito de Curitiba, Beto Richa, filho do ex-governador José Richa. Cassio foi disputado durante semanas pelo PSDB, para entrar da legenda e assumir a posição de o primeiro da lista do partido para concorrer à sucessão. Mas preferiu ficar no PFL a pedido do governador. Beto sempre foi apontado como uma segunda opção dentro do ninho tucano.


