Brasília - O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado, deputado José Mentor (PT-SP), e o vice-presidente, deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), afirmaram ontem que a reportagem publicada na revista IstoÉ Dinheiro, que está nas bancas desde ontem, com nomes de supostos envolvidos no esquema de remessa ilegal de recursos para o exterior, não altera o caminho dos trabalhos da comissão. Segundo Mentor, trata-se de uma matéria jornalística que não tem relação com a CPI e ''não altera absolutamente nada'' o roteiro prévio acertado ontem em reunião e que será submetido à reunião da comissão nesta terça-feira.
''Não vamos trabalhar com informação da imprensa, com declarações. Vamos trabalhar com documentos que estão nas instâncias responsáveis pelo caso'', afirmou Maia. A CPI foi criada para investigar remessa supostamente ilegal de US$ 30 bilhões por meio das contas CC-5.
A reportagem publicada traz informações sobre recibos de ordem de pagamento e registros de movimentações financeiras que teriam passado pela chamada ''conta Tucano'' e dossiês com nomes de políticos, como o do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), do ex-senador e ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB-SP). O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), afirmou que a tentativa de associar o partido a uma suposta conta secreta de nome ''conta Tucano'' é uma farsa semelhante ao chamado dossiê Cayman, no qual lideranças tucanas foram acusadas de ter uma conta em paraíso fiscal.
A direção da CPI do Banestado decidiu ontem requisitar todos os documentos relativos às apurações já feitas pela Polícia Federal e o Ministério Público e convocar pessoas que estão envolvidas nas apurações do suposto desvio para prestaram depoimento. Entre os documentos a serem requisitados estão o processo que corre em segrego de justiça, documentos em posse do Ministério Público Federal e os inquéritos da Política Federal e da força-tarefa formada pelo governo para apurar o caso. Deverão ser ouvidos, entre outros, técnicos do Banco Central, delegados da PF e procuradores. Os integrantes da CPI esperam que as convocações e requisições sejam aprovadas já na terça-feira.

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