Álvaro Antônio: "Mais uma vez, a Folha de S.Paulo tenta desestabilizar o nosso governo com ilações falsas"
Álvaro Antônio: "Mais uma vez, a Folha de S.Paulo tenta desestabilizar o nosso governo com ilações falsas" | Foto: Valter Campanato/ABr



Brasília - "Particularmente não sei se esta matéria é totalmente consistente. Se surgir a necessidade de apuração, será apurado." A declaração foi dada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, numa entrevista com jornalistas nesta segunda-feira (4). Ele respondia a uma pergunta sobre a denúncia feita pela Folha de S.Paulo, contra o ministro do Turismo, Álvaro Antônio (PSL). Candidato a reeleição ao cargo de deputado federal no ano passado, Antônio teria utilizado um esquema de candidaturas laranjas em Minas Gerais para direcionar verbas públicas de campanhas para empresas ligadas ao seu gabinete.
Moro também disse que o tempo em que o ministro da Justiça atuava como "advogado" de outros integrantes do governo já passou. "Não cabe ao ministro da Justiça fazer esse papel de defesa de situações apontadas em relação a membros do governo", afirmou.
Apesar da declaração, fez breve comentário sobre o caso envolvendo seu colega de Esplanada. "Cabe ao ministro da Justiça assegurar que, havendo informações consistentes, que isso seja devidamente apurado pelos órgãos de investigação competentes", disse.

O CASO

Durante a campanha eleitoral, o hoje ministro do Turismo era presidente do diretório regional do PSL. A direção nacional do partido, após pedido do PSL mineiro, destinou R$ 279 mil a quatro candidatas, sendo que elas repassaram ao menos R$ 85 mil para a conta de empresas ligadas a Álvaro Antônio.
Apesar de figurar entre os 20 candidatos do PSL no país que mais receberam dinheiro público, essas quatro mulheres tiveram desempenho insignificante. Juntas, receberam pouco mais de 2.000 votos, em um indicativo de candidaturas de fachada, em que há simulação de alguns atos reais de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos.
Internado no Hospital Alberto Einstein, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não se manisfestou. O porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, afirmou que não cabe ao presidente se pronunciar sobre o caso. "Não, ele [Bolsonaro] não comentou e não comentaria porque esse é um assunto que deve estar restrito ao próprio ministro e as respostas a esse tema a ele devem ser direcionadas a ele", afirmou Rêgo Barros.
Já o vice-presidente Hamilton Mourão (PRB) comentou: "Se for verdade, é grave. Temos de ver até onde há verdade nisso aí."

DEFESA

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, usou suas redes sociais nesta segunda-feira para dizer que é vítima de "denúncias vazias" sobre a campanha de outubro de 2018. "Mais uma vez, a Folha de S.Paulo tenta desestabilizar o nosso governo com ilações falsas. Hoje, sou o alvo de uma matéria que deturpa os fatos e traz denúncias vazias sobre nossa campanha em Minas Gerais", escreveu o ministro.
"Reforço que a distribuição do Fundo Partidário do PSL cumpriu rigorosamente o que determina a lei. Todas as contratações da minha campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. É lamentável o desserviço prestado pelo jornal", acrescentou Álvaro Antônio, em suas redes.

PACOTE ANTICRIME

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou nesta segunda-feira (4) que a mudança na legislação em relação ao caixa dois não revoga o artigo 50 do Código Eleitoral e que, se for aprovada, a proposta não retroage. Atualmente, a punição se dá com base em um artigo que trata de falsidade ideológica em eleições. O projeto também considera crime arrecadar, manter, movimentar ou usar valores que não tenham sido declarados à Justiça Eleitoral.
A proposta consta no pacote anticrime apresentado mais cedo a governadores e secretários estaduais (leia mais na página 6). Especificamente sobre o ponto relativo ao caixa dois, Moro ressalta que o tema ainda será discutido dentro do Congresso.
"Esta é uma medida importante para avançar e eliminar esse fator de trapaça dentro do processo eleitoral. É uma tipificação mais adequada a esse tipo de conduta", comentou.

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