Denúncia afasta vereador em Apucarana
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de junho de 2000
Maurício Borges de Apucarana 
Teve ampla repercussão em Apucarana (50 km a sudeste de Londrina) uma reportagem veiculada anteontem pela Rede Globo, no programa Fantástico. As imagens e o diálogo gravados pela RTV (repetidora UHF da TV Cultura-SP) mostram uma tentativa de suborno, praticada pelo presidente da Câmara local, vereador Valdir Sousa da Silva (PPB), oferecendo dinheiro para que emissora mudasse sua linha de cobertura jornalística com relação a denúncias de corrupção na cidade. O vereador teria oferecido R$ 5 mil por mês para a emissora.
A notícia acabou gerando ontem um pedido de licença do vereador Valdir Sousa da Silva aliado do prefeito Carlos Scarpelini (PSDB) que decidiu afastar-se da presidência e da Casa por 120 dias, renováveis a cada 30 dias. Silva não falou ontem à imprensa, mas em nota distribuída no início da noite, ele justificou que pretende aproveitar este período para avaliar o problema e depois decidir quais atitudes irá tomar em relação à denúncia que pesa contra ele.
Na nota, o presidente da Câmara fez questão de assumir a responsabilidade total pelo teor da conversa mantida por ele com um jornalista da RTV. Segundo Silva, estão usando indevidamente esse episódio para tentar prejudicar o prefeito Carlos Scarpelini.
Na sequência da reportagem, o programa da Globo abordou algumas acusações de irregularidades que estão sendo investigadas, há alguns meses, pelo Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado. Todas as denúncias já haviam sido publicadas anteriormente pela Folha e por outros órgãos de imprensa de Apucarana e do Estado.
Entre as irregularidades relatadas estão os contratos de terceirização de mão-de-obra firmados com a empresa Preserva e um parecer de técnicos do Tribunal de Contas, de dezembro de 99, impugnando diversas despesas praticadas na administração do prefeito Carlos Scarpelini, opinando pelo ressarcimento dos cofres públicos de um montante de R$ 1,7 milhão.
Scarpelini reiterou ontem que, em nenhum momento autorizou o presidente da Câmara ou qualquer outro vereador a falar ou negociar em seu nome, sobre o assunto exposto nesta filmagem. Os poderes Executivo e Legislativo são independentes e cada um deve assumir a responsabilidade total pelo que diz, comentou o prefeito.
Quanto ao relatório de técnicos do TC, determinando a devolução de R$ 1,7 milhão, Scarpelini explicou que se trata de um parecer preliminar. O processo já está em fase de recurso e será ainda analisado pelas esferas superiores no próprio âmbito do Tribunal de Contas, argumentou, assinalando que todas as denúncias contra mim, foram forjadas de forma covarde, através de cartas anônimas e panfletos apócrifos.
Procurado ontem pela Folha, o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Eduardo Matni, confirmou que está investigando diversas acusações encaminhadas a ele, por três vereadores. Segundo Matni as denúncias contam de uma carta anônima, em que são relacionados 20 itens de supostas irregularidades, que resultaram em vários inquéritos civis instaurados pelo MP.
Se tivermos elementos que comprovem, de maneira bem fundamentada, que, efetivamente, existem irregularidades ou desvios, iremos propor uma ação civil pública por atos de improbidade administrativa, anunciou o representante do Ministério Público.


