Dentista processa prefeito de Curitiba por danos morais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de março de 2002
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os programas de saúde dentária da prefeitura de Curitiba estão causando problemas ao prefeito Cassio Taniguchi (PFL). Além de duas denúncias encaminhadas pelo Ministério Público (MP) relativas a irregularidades no programa Cárie Zero, Cassio também responde a uma queixa-crime por danos morais formulada pelo dentista Luiz Antonio de Almeida, funcionário do Instituto Curitiba de Saúde.
Almeida alega que teve sua competência profissional injustamente questionada pela prefeitura após ter se recusado a trabalhar na campanha à reeleição de Cassio, no ano retrasado. Frequentemente eu questionava o modo como as coisas eram conduzidas nos quadros da sáude da prefeitura. Quando eu me recusei a trabalhar na campanha de Cassio, recebi uma licença, e pouco depois fui informado que meu cargo estava à disposição devido à insatisfação dos usuários, afirma.
O dentista reagiu à denúncia solicitando um pedido de explicações ao prefeito. Um procedimento interno foi instalado para verificar a atuação de Almeida, e uma sindicância interna realizada posteriormente não indicou falhas na conduta do funcionário público.
Cassio também é réu em uma denúncia do MP juntamente com os ex-secretários municipais José Alberto Reimann, João Carlos Baracho e o dentista Mário Capriglione. Os quatro são acusados de terem lesado os cofres públicos em R$ 180 mil, dinheiro pago para que Capriglione coordenasse o programa de saúde bucal Cárie Zero entre 1997 e 1999. Apesar de Capriglione ter sido o autor do projeto, o MP argumenta que seria necessária licitação para escolher o coordenador do Cárie Zero, uma vez que o dentista não tem o registro de especialista em odontologia preventiva e social no conselho regional da categoria.
Atualmente, o processo está parado devido a um conflito de competência. A 3ª e a 4ª Vara da Fazenda julgaram-se incompetentes para julgar a ação. O Tribunal de Justiça deve decidir hoje qual vara irá ser responsável pelo processo.
O prefeito foi procurado pela Folha, mas sua assessoria informou que ele não iria se pronunciar a respeito do assunto.


