Brasília - Em depoimento prestado à comissão de Infra-Estrutura do Senado, a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, afirmou ontem que o escritório Teixeira Martins, do advogado Roberto Teixeira, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atuou dentro da Anac de forma ''imoral'' no processo envolvendo a venda da Varig. ''Sem dúvida, as ingerências praticadas e a forma truculenta como o escritório Teixeira Martins agiu dentro da Anac são ações inequivocamente, no mínimo, imorais e podem gerar alguma ilegalidade'', disse Denise Abreu, em depoimento que começou às 10 horas.
Segundo ela, o escritório agiu de forma desrespeitosa com a Anac, inclusive, com funcionários de terceiro escalão que ficaram à disposição do escritório. Denise disse que o corpo técnico da Anac foi colocado disponibilizado ao escritório por conta das pressões para se agilizar os processos. ''O empenho era absoluto para se resolver este problema'', afirmou.
Ela destacou ainda que o destino dos diretores da agência foi traçado por tanta ingerência. E destacou que o jogo de pressões sobre a agencia provocou um desacerto interno na entidade. ''Este jogo de estica e tensiona até o fim, que é uma metodologia sindical, nos colocou em um clima de desacerto interno. Que dirá o que aconteceu lá fora'', disse Denise Abreu.
Denise Abreu reafirmou que houve ingerência da Casa Civil na atuação da Anac no episódio da venda da VarigLog para a Volo do Brasil. Denise reiterou que não recebeu nenhuma ordem da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mesmo porque não caberia como diretora de uma agência reguladora recebê-la. Mas, segundo ela, os questionamentos da Casa Civil sobre as exigências de apresentações de documentos feita à Volo, bem como as sucessivas reuniões na Casa civil foram recebidas por ela como uma forma de pressionar a agência reguladora. ''Recebo esse jeito de agir como a forma de pressionar uma agência reguladora'', disse.

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