Deni denuncia prefeitos e empreiteiras
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Leandro Donatti, de Curitiba 
Kraw Penas/Folha de LondrinaFranco-atiradorSchwartz: prefeituras haviam incorporado máquinas da Secretaria O ex-secretário dos Transportes, Deni Schwartz (PSDB), entregou o cargo ontem fazendo um dos discursos mais duros do governo Jaime Lerner. Saiu atirando contra empreiteiros e prefeitos da administração anterior e disse que para promover as mudanças necessárias teve que fazer adversários que tentaram lhe desviar do caminho.
Saio do governo com as mãos embarradas. Mexi com a lama quando investiguei a falsificação de uma assinatura do governador Jaime Lerner, lá no Porto de Paranaguá, armada para favorecer o interesse de empreiteiros, revela Schwartz, que não quis embasar a denúncia. Assessores mais próximos garantem que ele se referiu a um episódio de 1995, mantido até ontem em sigilo.
A empreiteira Mendes Junior Engenharia S.A. teria adulterado, na época, um documento encaminhado ao ministro dos Transportes, Odacir Klein (PMDB-RS), dando conta que Lerner concordava com a prorrogação do contrato da empresa junto ao Porto de Paranaguá. Ao descobrir o caso, Schwartz comunicou o problema ao governo federal, e desfez a suposta armação.
A Folha tentou ouvir ontem a direção da Mendes Junior, mas não conseguiu contato. O telefone anterior foi desativado e a Telepar não revela o novo número.
O ex-secretário disse ainda que a dívida de R$ 43 milhões do DER com os empreiteiros já foi muito pior. Apesar da pressão que sempre houve, conseguimos contornar a questão de forma correta. A dívida herdada do governo Requião era muito maior, chegava aos R$ 150 milhões, e o atual governo é quem teve de bancar, afirmou.
Deni Schwartz atirou também contra os prefeitos da administração anterior. Fui atrás de 200 máquinas da secretaria que já estavam incorporadas ao patrimônio dos municípios. Sem falar que 70% dos antigos prefeitos desviaram os recursos do DER doados para a adequação de estradas, acusou. O ex-secretário diz que sofreu pressão política para impedir a fiscalização dos engenheiros.
Embarrei as minhas mãos também quando me recusei a pagar R$ 420 mil para o asfaltamento de uma cidade a pedido de um deputado, desabafa. O tucano se recusa a revelar o nome do parlamentar, para evitar polêmicas. Mas uma coisa é certa, o governador Jaime Lerner mudou o perfil da economia do Paraná quando trouxe as montadoras. As pessoas precisam entender isso, apelou.


