Demóstenes afirma que provará inocência
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Ricardo Brito <br> <br> Agência Estado 
Brasília - Depois de submergir por uns dias e ainda sob o impacto das gravações comprometedoras da Polícia Federal, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) apareceu de surpresa ontem na reunião do Conselho de Ética que julgará a acusação de quebra de decoro parlamentar contra ele, acusado de envolvimento com o empresário do ramo de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Assim que foi aberta a sessão, o senador pediu a palavra para dizer que provará sua ''inocência'' durante o processo, mas pediu respeito ao regimento da Casa.
Demóstenes alegou que a escolha do presidente da comissão, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), poderia ser questionada como irregular porque não houve, segundo o parlamentar, eleição em sessão secreta para o cargo. O senador goiano, porém, disse que não alegará qualquer nulidade do processo e que pretende rebater as acusações no mérito.
''Pode parecer uma filigrana'', afirmou. ''Eu quero provar a minha inocência é no mérito, até agora não tive a oportunidade de me defender. Provarei que sou inocente'', afirmou.
Eleito para a presidência do conselho, Valadares foi escolhido por ser o senador mais antigo do colegiado. Tem 69 anos, completos na última sexta-feira. Mas, segundo Demóstenes, ele só poderia permanecer ''interinamente'' no cargo, apenas para presidir, em até cinco dias, a eleição do presidente. O prazo, observou, venceria na próxima terça-feira.
''O titular mais idoso somente assume a presidência interinamente para presidir a sessão de eleição da presidência'', afirmou. ''Neste caso, não há outra alternativa a não ser a eleição para presidente'', disse o senador goiano, dizendo que o próprio Valadares poderia, sim, ser o presidente eleito para conduzir seu processo de quebra de decoro.
Demóstenes informou que deixaria em seguida a reunião para não constranger a comissão, dizendo que se considerava notificado desde ontem do prazo para responder a representação do PSOL. Ele considerou os 10 dias de prazo adequado para fazer sua defesa, que fará primeiro por escrito e depois responder a todos os questionamentos dos integrantes do conselho.
No momento em que Demóstenes iria deixar a sala, o presidente do conselho pediu que ele ficasse para ouvi-lo. Valadares disse que sua escolha, diante da dificuldade do PMDB, partido a quem caberia o cargo, de encontrar um nome, está amparada legalmente. ''Todos atos praticados por mim foram inteiramente observando os trâmites constitucionais e legais'', afirmou. Demóstenes deixou a sala sem falar com a imprensa.


