Para o promotor Jorge Barreto, do Gaeco, que acompanhou a primeira audiência do caso Shirogohan, os depoimentos das duas testemunhas que faltaram ontem - o dono da boate, Claudemir Medeiros, e o ex-secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva - ''são essenciais'' para a explicação do caso. Barreto se refere ao fato de Medeiros ter admitido, na investigação, o pagamento de propina para que o zoneamento fosse aprovado, como também citado que a ponte com os supostos beneficiários do esquema teria sido feita com o ex-secretário e o ex-vereador Sidney de Souza (PTB).
Quem teria apresentado o empresário a Silva, relatou no inquérito, foi o ex-chefe da Polícia Federal (PF) de Londrina, delegado Sandro Viana dos Santos, hoje em Marília (SP). O Gaeco enviou carta precatória para Viana ser ouvido.
Indagado sobre o prazo para a primeira audiência de instrução de uma investigação iniciada há dois anos - o procedimento teve início em março de 2008; a denúncia foi apresentada em julho daquele ano -, o promotor admitiu que ''o interesse do Gaeco era para que isso terminasse o quando antes''. ''Até para dar uma resposta à sociedade, seja condenação ou absolvição dos réus. Mas há uma impossibilidade física e humana de se fazer isso face ao número de réus presos que a Justiça tem hoje, fora a quantidade de processos'', admitiu. Se tanta demora pode trazer ao cidadão eventual sensação de impunidade? ''Infelizmente, fora o risco de muitos desses investigados acabarem voltando para a vida política e usando as mesmas expressões que algumas figuras funestas usam, alegando que nunca lhes houve condenação'', definiu Barreto. (J.G.)

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