O panorama durante todo o dia de ontem no Pronto-Atendimento Municipal (PAM) e no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) refletia exatamente a crise pela qual passa a saúde em Londrina. Pessoas idosas sentadas ou deitadas no chão, algumas mulheres em pé amamentando seus filhos e muitas crianças e pais esperando o horário do atendimento.
No PAM, a demora chegava a seis horas, já que cerca de 250 pessoas haviam procurado a unidade por tratamento - até às 19 horas de ontem - e somente dois médicos estavam de plantão. Cerca de 60 pessoas ainda esperavam para ser atendidas, e os pacientes não paravam de chegar.
No PAI a situação era ainda pior, porque durante o período da tarde somente uma médica prestava atendimento e, segundo informações da coordenação da unidade, mais de 200 pessoas procuraram atendimento no local. Quem havia chegado depois das 16 horas, ainda nem havia passado pela triagem na enfermaria.
Neide da Cruz, que esperava o marido ser chamado para o atendimento, afirma que chegou na unidade às oito horas. ''Ele está com sintomas de dengue e chegamos bem cedo. Mesmo assim ele só passou pela triagem com os enfermeiros e ainda não foi atendido. Eu não tenho esperanças de sair daqui antes da madrugada. O descaso é grande'', lamenta.
Já Ivanira Carvalho, que acompanhava a filha - grávida de nove meses -, chegou a ameaçar ''fazer um escândalo'' no local se acontecesse alguma coisa com seu neto. ''Minha filha está passando mal e eu não sei o que fazer. Imagina a situação de uma mulher de nove meses que tem que ficar esperando nesse calor, doente.'', desabafa. (P.B.O.)

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