O promotor de Investigações Criminais de Londrina, Cláudio Esteves, deverá solicitar nesta semana ao juiz da 5ª Vara Cível de Londrina, Alberto Júnior Veloso, que oficie novamente os bancos para que encaminhem documentação referente à movimentação financeira dos 23 réus citados na medida cautelar impetrada pelo Ministério Público (MP), em novembro do ano passado.
Apesar de passados mais de três meses que a Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal e a indisponibilidade dos bens dos réus, entre eles o deputado federal, José Janene (PPB-PR), somente 10% da documentação bancária foi encaminhada. ‘‘A demora está atrasando o trabalho do MP. Sem essa documentação não se avança nas investigações’’, lamentou Esteves, um dos promotores responsáveis pelas investigações de desvios de recursos da Prefeitura de Londrina.
Além de Janene, também são citados na medida cautelar, a mulher do deputado, Stael Fernanda Rodrigues Lima, as duas filhas, e mais 19 pessoas entre familiares, assessores, e empresários que mantiveram negócios com Janene.
Janene é citado em três ações propostas pelo MP por suspeita de ter se beneficiado com recursos desviados da Prefeitura de Londrina, através de licitações fraudadas na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU).
Segundo Esteves, o pedido também deverá ser feito ao juiz da 6ª Vara Cível, Celso Saito. ‘‘Da primeira medida cautelar nós recebemos mais documentação, mas deveremos solicitar que os bancos sejam novamente oficiados’’, justificou.
A medida cautelar, que resultou no primeiro afastamento do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido), foi impetrada em maio do ano passado.
Até agora, a metade dos aproximadamente 300 processos licitatórios realizados na prefeitura foram investigados pelo MP e já resultaram em nove ações e duas medidas cautelares, envolvendo 118 réus. A estimativa é que o desvio supere R$ 200 milhões.