A forma de trabalho é coativa, mas necessária em um processo eleitoral ainda não totalmente informatizado. A opinião é da juíza Cristiane Willy Ferrari, responsável pela 157 Zona Eleitoral a maior em Londrina em número de eleitores e de mesários , quando o assunto é a convocação obrigatória do pessoal que trabalhará na eleição.
De acordo com ela, a Justiça Eleitoral evoluiu ''bastante'' nos últimos anos, mas não a ponto de dispensar mão-de-obra extra para o pleito e agir sozinha, em um sistema totalmente informatizado. ''Além do mais, o povo é servidor da Justiça. A democracia exige certos sacrifícios, então só deferimos as dispensas em casos de extrema necessidade'', apontou. A juíza se disse surpresa com o baixo número de voluntários para a tarefa, mas credita a causa disso a fatores específicos. ''Esperava mais adesão, especialmente dos jovens. É falta de civismo, mas falta maior de um trabalho mais intensificado junto a esse público nas escolas'', avaliou. ''Vejo crianças hoje que não sabem o Hino Nacional ou que desconhecem a bandeira do Paraná'', observou.
No dia da eleição, convocados e voluntários terão expediente das 7 às 17 horas, com direito a um vale-alimentação de R$ 7 e a um kit-lanche com bolachas, bolo, suco e achocolatado. O não comparecimento deve ser justificado ao juiz da respectiva zona eleitoral, sob pena de multa que pode variar de R$ 3,51 e dois salários mínimos, conforme a condição social do convocado.
A juíza da 157 lembrou que há ainda outras vantagens a quem participa do processo. Uma delas é a dipensa de dois dias para cada dia trabalhado no pleito (em caso de haver segundo turno), aos funcionários públicos. A outra é o critério de desempate em alguns concursos públicos, conforme o edital. ''Nese caso, é como se a pessoa fosse admitida como cidadã idônea, a ponto de servir o País em um momento tão importante'', explicou Cristiane.
Quanto à escolha dos que são convocados, a juíza destacou que são considerados ''desde a dona-de-casa até o bancário e o professor. Geralmente é quem tem trato com o povo, algum conhecimento de informática e uma escrituração boa'', comentou, para completar que isso deve mudar em um tempo não muito distante. ''A tendência é que se elimine cada vez mais a participação popular nas eleições. Por enquanto, o jeito é se submeter à lei e cumpri-la quando chamado'', concluiu. (J.G.)

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