Democracia & militares
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sexta-feira, 08 de março de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Democracia & militares
Forças armadas dão solidez e segurança à prática da democracia, mas isso não implica em tutela. A fala do presidente no sentido de que democracia e liberdade só existem "quando a sua respectiva Força Armada assim o quer" pegou mal porque pode até ser um pensamento dele, ex-militar, nunca o da instituição, como seus porta-vozes deixaram claro.
De qualquer forma o bate-pronto que se seguiu a mais um impulso verbal é positivo, mostra que não há apenas má vontade com os impulsos presidenciais na torrente de textos, como tentam fazer crer os bolsonaristas, porque estabelecem uma reflexão, da qual não se afastam os próprios militares convocados para uma interpretação mais institucional.
O Brasil tem historicamente uma relação de mediação militar que nos anos 50, século passado, transformavam em tormenta uma simples eleição do Clube Militar em uma definição dos nossos rumos. Comum também derrotados eleitorais fazerem o papel de vivandeiras, mas 1964 não pode ser olhado, simploriamente, como um golpe pela circunstância de que havia uma Guerra Fria e o divisor de águas tinha características geopolíticas e que ganhou fermento com a revolução cubana, o xadrez jogado era mundial.
Claro também que a Cia jogasse pesado pelo outro lado como se viu nas marchas com Deus e a Família pela Liberdade, instrumento ideológico de primeira grandeza e que tornaram sem expressão o desafio nas mobilizações de rua como o comício das reformas da Central do Brasil, a velha confiança no mito das barricadas que a França consagrou.
Dá para perceber que a forte presença militar no governo brasileiro opera mais como fator de equilíbrio institucional ao mesmo tempo em que se afasta o preconceito cultuado no pós 64 contra a farda em função dos desregramentos havidos que poucos estão dispostos a justificar.
Ofensiva necessária
A impressão - essa que decorre de agitos inclusive na festa do Oscar e na ofensiva militante em boa parte do mundo contra assédio e violência - é a de que a mulher está no ataque, mas a realidade é outra, mantém-se na defensiva e diante de algo que ganha características de um massacre: 71% dos feminicídios e tentativas são cometidos pelo companheiro atual ou ex e parte deles no local de convívio doméstico, imaginariamente o mais seguro de todos.
Essas reflexões permearam nesta sexta-feira (8) a celebração do Dia Internacional da Mulher que tem suas raízes mais remotas no século 19 nas condições de subordinação no trabalho geradas em função da revolução industrial e mantidas até hoje na discriminação salarial face aos homens e posteriormente na luta das sufragistas, na guerra pelo voto, ora caricaturada em nosso mundo contemporâneo no regime de cotas que deu origem aos laranjais da última eleição.
Melhoras havidas como o martírio que deu origem à Lei Maria da Penha impõem o pleno engajamento não apenas da mulher, mas de toda a sociedade no aprimoramento das instituições e das palavras de ordem como "não é não" ante a obstinada cantada ou o simples fiu-fiu.
Alerta inútil
Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal, hoje um dos alicerces da reforma da Previdência pelo menos nos cálculos do governo, alertou no sentido de não misturar questões de costumes, bem ao gosto e impulso do presidente, com a pauta essencial. Claro que a análise essencial reclamaria também do pacote do ministro Sérgio Moro que também abarca questões polêmicas e que dividem corporações.
No meio de tudo isso é gestada uma ideia por parte de Paulo Guedes, que não conflita com o propósito maior, que é de flexibilizar procedimentos para cobrar os grandes devedores da Previdência, apreciável conta de R$ 490 bilhões. Aliás esse argumento, o da cobrança, era acionado pelos que negavam a existência do déficit. Como fazê-lo sem emperrar a economia? Se a executiva for pesada teríamos por certo, uma quebradeira pra ninguém botar defeito em todo o País. O que será mais difícil: tocar a reforma ou essa cobrança? O fato é que uma não elide a outra e a intenção do guru não é botar a mão nos R$ 490 bi e sim conformar-se com a recepção de pelo menos R$ 160 bi.
Saúde
Primeira vítima da febre amarela, lavrador de 64 anos da zona rural de Morretes, no mesmo instante em que é confirmado mais um caso em Curitiba, mais sete no Paraná e 62 em investigação. Persiste a questão da falta de vacinas contra a meningite, o que tem causado pânico em algumas localidades ante a confirmação da doença e quanto à dengue ficaram confirmados 669 incidências em dois meses.
Emprego
Interior do Paraná, conforme o IBGE, tem menos desemprego e maior subocupação. A geral de desocupação é de 7,8% e no interior de 7,2%. O fato de haver maior subocupação impede, por seu lado, a aceleração do consumo.
Folclore
Na aula de Desenho com o português Pedro Macedo no Ginásio Paranaense o objeto de referência é um cone e um dos alunos desenha um pênis enorme. O professor observa e sai-se com essa: "peço pra você me desenhar um cone e você me faz um zepelin?"


