Demissões já atingem 1.300 servidores
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terça-feira, 12 de agosto de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
Arquivo FolhaCriseJosé do Carmo Garcia: funcionários comissionados são os mais visados na hora do facãoevantamento feito pela Folha mostra que quase 1.300 servidores foram demitidos este mês por prefeituras das regiões Noroeste e Norte do Estado. A maioria das demissões ocorreu em Apucarana, onde 600 funcionários perderam o emprego semana passada. Nas regiões de Umuarama e Paranavaí, o facão atingiu 610. Outros 75 foram dispensados no Vale do Ivaí nas prefeituras de Faxinal e São João do Ivaí.
As prefeituras da Associação dos Municípios de Entre Rios (Amerios), Noroeste do Estado, foram as primeiras a anunciar demissões em massa. Praticamente todas as prefeituras estão enxugando o quadro de pessoal. Mais de 500 servidores, contratados ou comissionados, já perderam o emprego na região. A prefeitura de Altônia, por exemplo, demitiu 117 contratados. Agora, o prefeito Durval Emídio dos Santos (PFL) tenta anular um concurso público para poder mandar mais 48 embora. Estávamos com cerca de 700 funcionários que consumiam mais de 65% da receita mensal, justifica Santos.
A onda de demissões foi confirmada semana passada pelo presidente da Associação dos Municípios do Paraná e prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PTB), que atribui a medida à crise financeira por que passa os municípios. Segundo Zé do Carmo, funcionários que ocupam cargos em comissão e outros que têm contrato por tempo determinado estão sendo dispensados para equilibrar as contas dos municípios. Ele previu que um número considerável de prefeituras seguirá o caminho das demissões.
Mas muitos municípios adotam outras estratégias para reduzir despesas. No Vale do Ivaí e no Noroeste, o atendimento ao público está reduzido até o próximo dia 31 a meio expediente. A prefeitura de Paranavaí, além de passar a funcionar somente meio período, já anunciou que vai prorrogar a medida até o final de novembro. O prefeito Antônio Teruo Kato (PSDB) disse que economiza R$ 50 mil por mês, que ele pretende investir no pagamento de dívidas herdadas da administração anterior.
O Tribunal Regional do Trabalho pediu à Procuradoria Geral da Justiça para analisar a possibilidade de intervenção em Paranavaí por falta de garantia de recursos no orçamento deste ano para quitação de dívidas trabalhistas. Se aprovado, o pedido ainda tem de ser analisado pelo governador Jaime Lerner (PDT) e pela Assembléia Legislativa. Mas a prefeitura está negociando com os servidores para evitar a intervenção. (Colaborou Vânia Moreira, de Umuarama)


