Demissões da Copel geram protesto em Curitiba
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sábado, 23 de maio de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 200 pessoas participaram, na manhã de ontem, em Curitiba, de uma passeata em protesto ao chamado plano de sucessão da Companhia de Energia Elétrica do Paraná (Copel), que prevê o desligamento de cerca de 700 funcionários aposentados pelo INSS. A decisão foi comunicada pela direção da companhia no dia 13 de abril.
Para o presidente do Sindicato dos Empregados em Concesionárias dos Serviços de Energia Elétrica de Curitiba (Sindenel) e coordenador do coletivo sindical da Copel, Alexandre Donizete Martins, a decisão da diretoria é ilegal e resultará na precarização dos serviços da empresa. Esses funcionários são de grande nível técnico, muitos em cargos que necessitam até 12 anos de treinamento. Não há no mercado pessoas qualificadas para substituir esses empregados.
Martins informou que o sindicato entrou, anteontem, com uma nova ação civil pública com tutela antecipada pedindo a suspensão imediata da decisão, já que há informações de que as primeiras demissões devem começar no próximo dia 28. Na empresa não tem diálogo. Outras empresas do ramo, em seus planos de sucessão, resguardam o corpo técnico para repassar conhecimento aos funcionários novos. Estamos prevendo o apagão técnico da maior empresa do Paraná, avaliou.
O eletrotécnico Sérgio Martins, de 51 anos, será um dos atingidos com a medida. Beneficiário do INSS desde 2007, faltariam quatro anos para receber a previdência complementar, pela Fundação Copel. Saindo agora, minha renda será de apenas 60% do que seria com a aposentadoria integral, explicou.
Atuando como supervisor de setor, ele acredita que levaria, no mínimo, cinco anos para alguém aprender suas competências. A empresa diz que vem se preparando há um ano para essa mudança. Mas sabemos que ela não preparou ninguém para os cargos mais especializados. A perda não será só da empresa, mas de todos os paranaenses, lamentou Sérgio.
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) disse que fez um pedido de informações à companhia sobre a programação das demissões, a data prevista de novos concursos e a forma como serão repostas as vagas abertas. Não recebemos nenhuma resposta. A Copel diz que contratará, por concurso, mil novos funcionários. Mas, como acredito que o prazo não será suficiente para repor as perdas, nossa preocupação é que haja terceirização de alguns serviços, o que não seria interessante para ninguém, comentou.
A reportagem procurou ontem a Copel, através de sua assessoria de imprensa, mas não foi possível o contato. Em um informativo distribuído aos funcionários, a Copel explicou que o plano é necessário para fixar regras plenamente eficientes de substituição de pessoal e tem o amparo de um parecer da Procuradoria Geral do Estado e de uma jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).


