Demissão surpreende lideranças em Londrina
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quarta-feira, 28 de junho de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A demissão do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Roberto Rodrigues, há seis meses do final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) causou surpresa entre as lideranças ligadas ao agronegócio. A atuação do ministro foi polêmica em relação ao Paraná, por conta da identificação de 7 focos de febre aftosa, cujo vírus não foi isolado e os laudos estão sendo contestados pelos pecuaristas e pelo governo do Estado.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Kireeff, disse que não esperava a demissão. ''De qualquer maneira teremos que ficar alertas porque ainda faltam algumas adequações nos pacotes agrícolas e também temos outras questões não concluídas. A saída do ministro não pode refletir em mais problemas'', afirmou.
Sobre os focos de febre aftosa confirmados no Paraná, Kireeff disse que a condução dessa questão não transcorreu de maneira ideal. ''Tivemos opiniões opostas e enfáticas e todo esse procedimento foi discutível, mas a posição da Sociedade Rural é exigir e cobrar ações para que o Estado recupere o mais rápido possível o status anterior (de área livre de aftosa com vacinação)'', comentou. Ele acrescentou que a Rural irá apoiar as pessoas e os pecuaristas que, eventualmente, forem lesados.
O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Luiz Fernando Kalinowski, também disse ter ficado surpreso com a saída do ministro. ''Há um mês isso já era esperado, mas hoje é uma surpresa'', disse. Na sua avaliação, durante os protestos organizados pelos agricultores o ministro ficou em um ''fogo cruzado'' entre o governo federal e os produtores. ''A sensação era de que ele (Rodrigues) estava sozinho. Acredito que ele (ministro) tenha ficado muito desgastado'', opinou.
Para o pecuarista André Carioba, presidente da Associação de Produtores de Bovinos de Corte e proprietário da Fazenda Cachoeira (que teve um foco de aftosa confirmado) a demissão do ministro foi tardia. ''Ele (Rodrigues) não teve interesse em defender a classe da qual faz parte (o ministro é produtor de cana-de-açúcar) e não conseguiu resolver tanto a crise da agricultura quanto a questão da aftosa no Paraná. Na minha opinião saiu tarde demais'', disse.
Segundo Carioba, o pacote de socorro à agricultura apenas prorroga as dívidas por mais um ano e não baixa os custos de produção. ''Mesmo se a safra for boa não iremos conseguir pagar as dívidas e a prorrogação dos financiamentos não seria privilégio só do meio rural. O que precisávamos era redução da carga tributária dos insumos e a redução do IPI do maquinário'', comentou. Sobre o problema da aftosa, Carioba reclamou que o ministro sequer procurou os pecuaristas ou as entidades que os representam para se inteirar da situação.


