Demissão não é suficiente, diz oposição
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de outubro de 2011
Das Agências 
São Paulo - O deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR), líder do partido de oposição na Câmara, afirmou ontem, por meio de nota, que uma ''possível demissão de Orlando Silva do comando do Ministério do Esporte não será suficiente para conter o esquema de corrupção montado na pasta''. O ministro foi acusado pelo policial militar João Dias Ferreira de envolvimento direto em fraudes em convênios firmados entre o ministério e ONGs.
Na mesma nota, Bueno afirma que apesar de tentar blindar o PCdoB - partido do ministro - das denúncias, a presidente Dilma Rousseff será obrigada a rever a ''carta branca'' que deu ao partido aliado. ''A presidente Dilma precisa ordenar o desmonte completo do aparelho de corrupção que funciona, de forma azeitada, dentro do Ministério do Esporte. Até porque as denúncias estão espalhadas por todo o país e não se resumem apenas ao caso de cobrança de propina revelado pelo policial João Dias Ferreira'', afirma Bueno na nota.
Inquérito no STF
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que abra um inquérito para investigar o ministro do Esporte. Gurgel também pediu a transferência para o STF de um inquérito que investiga o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, por suposto envolvimento no mesmo esquema. O inquérito atualmente está sob responsabilidade do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Nova denúncia
Documentos obtidos pelo Grupo Estado mostram que Anna Cristina Lemos Petta, mulher do ministro do Esporte, Orlando Silva, recebeu dinheiro da União por meio de uma ONG comandada por filiados ao PCdoB, partido do marido e ministro. É a própria Anna Petta quem assina o contrato entre a Hermana e a ONG Via BR, que recebeu R$ 278,9 mil em novembro do ano passado. A Hermana é uma empresa de produção cultural criada pela mulher do ministro e sua irmã, Helena. Prestou serviços de assistente de pesquisa para documentário sobre a Comissão da Anistia. A empresa foi criada menos de 7 meses antes da assinatura do contrato com a entidade. Pelo trabalho, recebeu R$ 43,5 mil.
A ONG Via BR tem em seus quadros Adecir Mendes Fonseca e Delman Barreto da Silva, ambos filiados ao PCdoB. A entidade também foi contratada em maio do ano passado pelo Ministério do Esporte, para promover a participação social na 3 Conferência Nacional do Esporte. No negócio, recebeu mais R$ 272 mil.
Encontro com Dilma
Antes do encontro com a presidente Dilma Rousseff, no início da noite de ontem, o ministro do Esporte divulgou nota no site do ministério para falar mais uma vez sobre as denúncias de fraude na Pasta. No documento, Orlando diz que foi alvo ''de ampla campanha caluniosa''.


