Demissão de secretário é fruto de arranjo político
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de abril de 1998
Agência Estado 
O substituto de Fernando Catão na Secretaria de Políticas Regionais, principal órgão do governo que cuida das ações contra a seca do Nordeste, será da região Centro-oeste, a ser indicado pelo senador Íris Rezende (PMDB-GO).
Catão foi demitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso na noite de sexta-feira, cerca de dois meses depois de ter entregue carta de demissão. Mesmo assim, a notícia surpreendeu o secretário, que estava coordenando pessoalmente as ações do governo no atendimento aos flagelados da seca no Nordeste. Indiferente ao pedido de demissão de quase dois meses, Catão parecia certo de que ficaria no governo.
O arranjo feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso tem a finalidade de resolver dois problemas no time dos aliados: atender ao governador paraibano José Maranhão, que disputa espaço político com o senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB), cunhado de Catão, e acabar com a mágoa de Íris Rezende na reforma ministerial, por não conseguir emplacar seu sucessor no Ministério da Justiça.
O senador ainda não apresentou o nome para ocupar o cargo. Íris acredita que esta semana já haverá um desfecho para a Secretaria. Sua pretensão era indicar o senador Mauro Miranda (PMDB-GO) para o lugar de Catão, mas uma restrição legal inviabilizou o nome de Miranda. A Constituição admite que deputados e senadores se licenciem de seus mandatos somente para assumir ministérios ou secretarias estaduais.
Como a Secretaria de Políticas Regionais tem status de ministério, mas não é, Miranda perderia os quatro anos que lhe restam de mandato no Legislativo. Por outro lado, o governo descartou a idéia de transformar essa secretaria em ministério, pelo menos no momento.
A nomeação de um apadrinhado de Íris para a Secretaria de Políticas Regionais pode eliminar o mal-estar que ficou no PMDB goiano nos arranjos da reforma ministerial. Afastada a hipótese de o líder do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), assumir sua cadeira no Ministério da Justiça, Íris impôs o nome de seu secretário-executivo José de Jesus.


