Demissão de pepista causa nova crise
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005
Lígia Formenti<br> Agência Estado 
Brasília - A demissão do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Luiz Carlos Bueno de Lima, anunciada ontem, provocou mais uma crise na base aliada do governo. O líder do PP na Câmara, José Janene (PR), afirmou que, na segunda-feira, pedirá que a Casa convoque o ministro Humberto Costa para explicar a falta de remédios anti-retrovirais (para o combate à aids), o pivô da demissão de Lima. ''O ministro é o principal responsável pelo desabastecimento. Terá de ser penalizado no caso de eventuais mortes provocadas pela falta do remédio'', afirmou.
A saída do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde era esperada desde quarta-feira, quando Lima afirmou que Costa sabia do risco do desabastecimento. Mas, segundo o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, o ministro da Saúde nada fez para assegurar a garantia de estoques de medicamentos de aids. Até semana passada, pelo menos 30 mil pacientes estavam sem receber a substância. Embora aguardada, a decisão serviu para aumentar a distância entre a administração federal e o PP, partido que havia indicado Lima para o cargo. A causa do descontentamento foi a forma como a destituição ocorreu.
Janene afirmou que estava acertado com o chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo, que Lima pediria a exoneração na segunda-feira. Mas os planos teriam mudado na noite de anteontem, com a intervenção de Costa. Ele teria ido à Base Aérea, esperar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para defender a dispensa. O que foi aceito.
No fim da noite, Rebelo ligou, novamente, para o líder do PP na Câmara, com o objetivo de comunicar a mudança nos planos. ''Eles não cumpriram o trato, como sempre. Fica difícil assim qualquer diálogo com a base aliada.''
''A demissão aconteceu por ele ter divulgado informações que não eram verdadeiras no que diz respeito ao abastecimento de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo fato de ele ter quebrado a hierarquia e se insubordinado contra a autoridade, não minha pessoal, mas do ministro da Saúde'', defendeu Costa. Ele acrescentou que são razões suficientes para promover uma substituição.


