Demissão de ministro não está descartada
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domingo, 23 de outubro de 2011
Folhapress 
Brasília - A presidente Dilma Rousseff determinou ao ministro do Esporte, Orlando Silva, que toque a vida normalmente no cargo. Em reunião sexta-feira à noite no Palácio do Planalto, ele assegurou não estar envolvido em nenhuma irregularidade e disse ter tomado todas as medidas para corrigir e punir malfeitos. Mas, segundo a reportagem apurou, ele ainda não está livre da demissão. Os próximos dias serão decisivos para determinar se ele possui condições de continuar na função e de tocar a agenda pesada da Copa-2014.
Durante toda a sexta-feira, houve intensa especulação dando conta de que sua saída estaria selada. Não lutamos inutilmente para acabar com o arbítrio e não vamos aceitar que alguém seja condenado sumariamente, disse a presidente por meio de nota após uma reunião de uma hora e meia. Em seguida, afirmou que seu governo não condena ninguém sem provas e parte do princípio civilizatório da presunção da inocência.
Após a conversa, Dilma relatou a interlocutores que ficou impressionada com a convicção de seu auxiliar. Orlando Silva disse a ela que seu delator, o policial militar João Dias Ferreira, não apresentou as provas que diz possuir. Voltou a repetir a defesa dos últimos dias: Não houve e nem haverá provas.
Desmascarei todas as mentiras para a presidente, contou o ministro a jornalistas após o encontro no Palácio. Em uma semana de crise, ele concedeu ao todo quatro coletivas de imprensa e foi duas vezes ao Congresso se explicar, o que o Palácio avaliou como positivo.
Na sexta-feira, diante dos rumores de demissão, a cúpula do PCdoB se reuniu para reafirmar o apoio ao correligionário. Mas até mesmo alguns representantes da sigla chegaram a admitir chances de substituição e cogitar nomes informalmente.
Em uma das conversas, alguns até ameaçaram partir para o ataque se a honra da legenda seguisse manchada. O alvo: o ex-ministro do Esporte e atual governador do Distrito Federal (PT), Agnelo Queiroz, a quem alguns dirigentes atribuem, reservadamente, a responsabilidade pelo esquema de corrupção apontado pelo policial.
Antes da reunião com Dilma, interlocutores palacianos avaliaram que, por conta da pressão política, o melhor seria o ministro se antecipar e pedir demissão. A ideia foi descartada quando o governo recebeu sinais de que Orlando não estava disposto a entregar o cargo. Para o ministro, uma iniciativa nesse sentido seria interpretada como uma confissão de culpa.
A presidente não quis se precipitar antes de ouvir seu ministro e consultar dados sobre as irregularidades denunciadas. Ela determinou que a Controladoria-Geral da União faça uma auditoria informal em programas do ministério para embasar qualquer decisão.


