Cláudia Carneiro Agência Estado
Exatamente no dia em que completou 68 anos de idade, o presidente Fernando Henrique Cardoso ganhou na sexta-feira o presente de aniversário que foi obrigado a acalentar desde que escolheu o delegado João Batista Campelo para dirigir a Polícia Federal: sua demissão voluntária, depois de pressionado por todos os lados por conta da denúncia de prática de tortura durante o regime militar. Os amigos de Fernando Henrique festejaram aliviados. Mas muitos outros problemas que presidente arrastou nos últimos 30 dias foram, e deram substância ao que os astrólogos chamam de inferno astral, prometem alongar o período.
FHC terá de administrar o PMDB e seu ministro da Justiça, Renan Calheiros. O cabo-de-guerra do presidente com o partido para escolha de um novo nome para a PF volta à estaca zero. Já na véspera do aniversário de FHC, Calheiros ensaiou reaproximação com o chefe do Gabinete Militar, general Alberto Cardoso. Os dois abriram a briga pelo comando da PF.
‘‘A relação do PMDB com os aliados está ficando cada vez mais difícil e isso aproxima o PSDB do PFL’’, avaliou o vice-presidente pefelista, senador José Jorge (PE). A recente troca de insultos entre o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), realçou os problemas que Fernando Henrique enfrenta em sua base de apoio político. Por outro lado, também ajudou a desviar a crise do Palácio do Planalto para o Congresso. ‘‘Brigas desgastam o meio político, mas tiram o foco do presidente’’, observou José Jorge.
O foco está agora também no STF, no mais novo round de confrontos institucionais, que envolve ACM e ministros do Supremo. Mas enquanto os holofotes permanecem dirigidos em posição contrária ao Palácio do Planalto, a CPI do Judiciário continuará investigando a relação de seu maior vilão, o juiz Nicolau dos Santos Neto, com o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas, auxiliar mais próximo de FHC durante todo o primeiro mandato.
Nas últimas semanas, FHC sofreu também o desgaste das brigas entre os ministros da Saúde, José Serra, e da Previdência, Waldeck Ornélas; o golpe da divulgação da escuta telefônica clandestina de conversas suas com o ex-presidente do BNDES André Lara Resende sobre a privatização da Telebrás; a péssima repercussão da mordomia de seus ministros em jatinhos da FAB, e, como se tudoisso fosse pouco, a queda livre nas pesquisas de avaliação de seu governo.
Na análise mística, FHC é vítima da inveja e do negativismo de pessoas que o rodeiam. O tarô do presidente, no dia de seu aniversário, revelava que esse clima de negativismo e de disputa de pode começar a mudar a partir de agora. Mas FHC terá de romper o cinturão de desgaste com mudanças em sua equipe, avalia o astrólogo Martius Americano do Brasil, interpretando as cartas do tarô. ‘‘Bem ou mal, o presidente está vivendo pressões que qualquer outro viveu neste momento do País, e a recuperação rápida que ocorrerá na economia o ajudará a recuperar sua popularidade’’, interpreta o astrólogo, garantindo que FHC está protegido pela ‘‘Justiça Superior’’. Contraditoriamente, porém, ele diz que FHC ‘‘vai terminar seu mandato, mas estará cercado de inimigos’’.

mockup