Curitiba - Mais de 150 pessoas ocuparam ontem parte do segundo andar do prédio anexo do Tribunal de Justiça (TJ), em Curitiba, para registrar críticas e reclamações contra a atuação da Justiça no estado. O número surpreendeu a equipe do Conselho Nacional (CNJ) de Justiça que realiza esta semana uma inspeção no TJ. No meio da tarde, servidores designados para inspeções em outros locais do tribunal foram chamados para reforçar a equipe de atendimento ao público.
A meta do CNJ era atender cerca de 120 pessoas até o fim da tarde. Mas próximo às 16 horas um total de 149 senhas já haviam sido distribuídas e uma grande quantidade de pessoas ainda aguardava para garantir o atendimento.
Segundo o coordenador executivo da organização social Terra de Direitos, Darci Frigo, a grande procura registrada ontem é resultado de uma ''demanda represada histórica'' do acesso à Justiça. ''Nunca houve uma janela aberta para o povo participar do Poder Judiciário.''
Durante o atendimento individual, servidores do CNJ anotam os dados da reclamação. Quando o caso realmente envolve problemas na atuação do Judiciário, a reclamação é automaticamente transformada em processo no Conselho. O autor da denúncia recebe um número para acompanhar a análise o caso via internet.
Entre as reclamações, a maior parte se refere a demora no julgamento das ações e às decisões. É o caso da serventuária Maria das Dores Moreira Alves, de Rancho Alegre (60 km a oeste de Cornélio Procópio) que é parte em um processo de divórcio que tramita na Justiça desde 1991. O ex-marido dela morreu em 2000 e ela passou a fazer parte do processo de partilha de bens.
O atendimento a população continua nesta quinta-feira das 9 às 18 horas. Às 14 horas, no 11º andar do mesmo prédio o CNJ realiza uma audiência pública na qual serão ouvidas entidades e pessoas que tenham denúncias de interesse público contra a Justiça paranaense.

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