Curitiba - A criação de organizações sociais com o objetivo exclusivo de exercer funções do Estado é um fenômeno predominantemente brasileiro. Mas, segundo a coordenadora do Núcleo de Responsabilidade Social da Fundação Getúlio Vargas no Paraná, Cintia Takada, a interação entre organizações privadas que atuam na área social e o poder público é comum no resto do mundo.
''O fato é que a demanda por uma atuação na área social sobre o Estado tornou-se muito grande, e o poder público se viu incapacitado de suprir todas as necessidades através da execução direta. Nesse sentido, as organizações sociais acabaram absorvendo parte da demanda, firmando parcerias com os governos'', explica Cintia.
Para a coordenadora, o decreto que instituiu as Oscips fortaleceu as atividades das organizações não-governamentais. ''Quando você regula o repasse de verbas pelo estado, e permite que a diretoria da instituição tenha vencimentos, você melhora a qualidade dos serviços. Atualmente, muitos profissionais da iniciativa privada estão atuando nas Oscips, aumentando a qualidade do trabalho desenvolvido'', comentou.
Para Eliane Biazetto, que coordena as atividades do Banco de Microcrédito, a regulamentação como Oscip foi fundamental. ''A maioria das organizações não-governamentais estão buscando essa possibilidade, de receber recursos do governo para expandir as atividades. Na área do microcrédito, a vantagem é grande, porque o governo fiscaliza com severidade as atividades. Quem não tem o certificado pode ser preso pelo crime de usura, explica Eliane. Com recursos do BNDES, o Banco de Microcrédito repassou cerca de R$ 2 milhões à famílias que estavam iniciando negócios em 2002. (R.S.)

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