São Paulo - Os números do que já se convencionou chamar de a ''indústria dos concursos'' são superlativos. ''Atualmente existem mais de 86 concursos com inscrições abertas que somam 233.215 vagas e salários que podem chegar a R$ 20 mil por mês'', diz José Ricardo de Oliveira, diretor de Marketing & Projetos da Editora Jornal dos Concursos, resumindo o ambiente da disputa. A empresa, uma das pioneiras no segmento, foi fundada por seu pai há 29 anos.
A própria expansão da editora, acelerada nos últimos quatro anos, é um retrato do impulso que a área de concursos públicos atingiu no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. ''A circulação do 'Jornal dos Concursos', o nosso primeiro produto, pulou de 10 mil exemplares para 80 mil. Tínhamos oito jornalistas e hoje contamos com 18, fora os 50 profissionais de outras áreas. Somos agora uma empresa multimídia, com uma agência de notícias sobre concursos cujo conteúdo vendemos para todo o Brasil. Nosso site que, em 2004, registrava 300 mil acessos mensais, passou para mais de 2 milhões por mês este ano'', diz Oliveira.
Levantamento com dados da Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios, o PNAD, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima que 10 milhões de brasileiros buscam uma vaga no serviço público. A pesquisa considera todos os candidatos, não só os que estão matriculados em cursos preparatórios, mas também os que estudam em casa. Um dos maiores estímulos para toda essa disposição em batalhar um lugar, em especial na esfera federal, explica-se pelos reajustes dos últimos oito anos. Os salários da União tiveram aumento real de 75%, enquanto o aumento médio do setor privado foi de 9% no período. ''Salário, estabilidade, benefícios e aposentadoria quase vitalícia são os principais fatores que atraem os candidatos'', considera Oliveira.
Nos últimos anos, proliferaram na internet ofertas de cursos e sites que monitoram o universo dos concursos públicos. O megaportal Google, que administra a ferramenta Adwords para anúncios ligados ao processo de buscas dos internautas (propaganda chamada de ''link patrocinado''), viu o investimento de seus clientes voltados ao segmento de concursos públicos aumentar 43% no ano passado, comparado a 2008.
Em Curitiba, no Paraná, surgiu há dez anos uma empresa dedicada à produção de conteúdo didático para o setor educacional. A Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino (Iesde) mantém quatro estúdios e mais de 700 colaboradores, entre os quais professores das melhores universidades do País, para gravação de vídeos de aulas roteirizados com animação e gráficos com tecnologia em terceira dimensão (3D). ''Enviamos material em qualquer formato, de pendrive, DVDs, MP4 ou livros eletrônicos a todo o Brasil'', diz Bruno Branco, gerente de marketing do Iesde.
A demanda na era Lula é tamanha que, em 2004, também foi criada a Associação Nacional de Apoio e Proteção aos Concursos (Anpac). No seu site encontra-se a informação de que as principais organizadoras de concursos movimentaram milhões por anos e o setor mais que dobrou de tamanho nos últimos quatro anos. (M.R./A.E.)

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