Brasília - Em meio a uma série de suspeitas sobre o patrimônio do segundo vice-presidente e corregedor da Câmara, Edmar Moreira (DEM-MG), eleito dia 2, foi dado ontem o primeiro passo para desvincular as duas funções e tirar a corregedoria do deputado mineiro. A ideia é criar um órgão específico, como existem hoje a Procuradoria e a Ouvidoria da Câmara. Cabe ao corregedor analisar denúncias contra deputados e encaminhar à Mesa Diretora, que pode ou não mandar o caso ao Conselho de Ética.
A articulação para tirar Moreira da corregedoria começou no dia seguinte da eleição da Mesa, quando ele defendeu o fim dos julgamentos na Câmara dos pedidos de cassação de mandato por falta de decoro parlamentar. O corregedor considera que os processos contra parlamentares devem ir ao Judiciário. No Parlamento, afirmou, os colegas têm ''o vício da amizade''.
A formalização da mudança no regimento interno para desvincular a corregedoria da segunda vice-presidência foi feita por meio de um projeto de resolução apresentado hoje pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE). Há uma tendência entre os integrantes da Mesa e os líderes partidários de levar adiante a ideia e submeter o projeto ao plenário, em regime de urgência, na próxima terça-feira. ''A Casa não dispõe de corregedoria e de uma estrutura para tratar de questões disciplinares. Existe o corregedor, mas não existe a corregedoria'', afirmou Jungmann. O deputado conversou com Edmar Moreira sobre o projeto e disse que a iniciativa é para corrigir uma ''falha do regimento''.
Além da manobra para tirar seu poder de corregedor, Edmar Moreira ainda enfrentará a Executiva do DEM, que não aceita o fato de o deputado ter sido candidato à segunda vice-presidência à revelia do partido. Edmar Moreira venceu o concorrente oficial, Vic Pires Franco (PA).
Ao ser questionado sobre Edmar Moreira, o novo líder do partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), afirmou: ''Não pode o DEM responder por um candidato eleito contra um escolhido pela bancada. Mas o DEM sabe que terá de tomar uma atitude, porque ele está filiado ao partido. Vamos levar o assunto à Executiva.''
O corregedor foi denunciado pelo Ministério Público por apropriação indevida de contribuições ao INSS recolhidas por funcionários de uma empresa de vigilância que teve durante mais de 30 anos. Além disso, há uma série de dúvidas sobre a propriedade de um castelo construído pelo parlamentar nos anos 80, com valor estimado entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões.
Punição
O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), defendeu, em nota oficial, que o deputado renuncie à segunda vice-presidência. Maia informou que Edmar Moreira será submetido à Comissão de Ética do partido.

mockup