DEM abre processo para cassar Demóstenes
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segunda-feira, 02 de abril de 2012
Catia Seabra e Gabriela Guerreiro <br> Folhapress 
Brasília - O DEM decidiu ontem abrir processo para expulsar o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) por ''reiterado desvio de conduta partidária''.
Para evitar o desgaste em ano eleitoral, o rito será sumário: Demóstenes, investigado pela Procuradoria-Geral da República por sua relação com o empresário Carlos Cachoeira, tem prazo de uma semana para a defesa. A expulsão já é dada como certa por membros da sigla.
É o que a defesa de Demóstenes queria. Dentro de uma estratégia de forçar a expulsão, o senador desafiou a cúpula do DEM e não atendeu ontem ao ultimato do partido para apresentar explicações sobre o seu envolvimento com Cachoeira, suspeito de explorar jogos ilegais.
Demóstenes disse a interlocutores que, para o sucesso de sua defesa jurídica, prefere ser expulso a sair do partido. Ele avisou o DEM que não apresentaria o pedido de desfiliação alegando que precisa de tempo para analisar o inquérito da Polícia Federal. Sua intenção é evitar a perda de seus direitos políticos.
Segundo seus advogados, a saída voluntária levaria à suspensão de seus direitos políticos. Um pedido de desfiliação pode ser encarado como manobra para a perda de mandato, já que o partido pode exigir sua cadeira ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo essa interpretação, a Lei da Ficha Limpa determina que o parlamentar, ao abrir mão do mandato para escapar de um processo de cassação, fica inelegível.
O senador trabalha com a hipótese de licença temporária. Ele disse ontem ao colega de partido Ronaldo Caiado, deputado por Goiás, que acredita ter força para enfrentar o processo sem renunciar. Apesar disso, não descarta a possibilidade de sucumbir à pressão para renunciar.
Ontem, o PSOL encaminhou ofício pedindo para antecipar a reunião do Conselho de Ética do Senado na qual será escolhido o presidente que decidirá se abre processo contra Demóstenes. Na avaliação do Planalto, Demóstenes pode até vencer na Justiça, mas já é uma ''página virada'' na política.


