Delúbio nega pedido de propina
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terça-feira, 23 de maio de 2006
Folhapress 
Brasília - O ex-tesoureiro petista Delúbio Soares negou ontem, durante depoimento à CPI dos Bingos, ter pedido ou recebido dinheiro do Opportunity, mas admitiu que se encontrou com Daniel Dantas, dono do banco. Numa das raras novidades em relação às três vindas anteriores ao Congresso, Delúbio confirmou ter participado de uma reunião no início da tarde de 22 de julho de 2003 com o banqueiro Daniel Dantas e seu então sócio no Opportunity, Carlos Rodenburg, junto com Marcos Valério, um dos pivôs do escândalo do mensalão.
A reunião no hotel Blue Tree, em Brasília, foi anotada na agenda de Karina Somaggio, ex-secretária de Valério. Teria ocorrido na sequência de outra reunião na sede do PT, entre Valério e Delúbio. Segundo o ex-tesoureiro, a reunião teria acontecido a pedido de Marcos Valério. ''O conteúdo foi que o Partido dos Trabalhadores não gostava do Opportunity. Eu não disse que gostava nem que não gostava, o PT não tinha nenhuma restrição'', contou. ''E o pedido de dinheiro?'', questionou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). ''Não solicitei, nunca houve pedido de recursos para o PT'', declarou Delúbio. ''Conversei com muitos empresários. Não tem ninguém que diga que eu pedi dinheiro'', afirmou adiante.
Uma versão bem diferente foi apresentada por Carlos Rodenburg. O ex-sócio de Dantas afirmou ter sido procurado por Delúbio com a cobrança de algo entre US$ 40 e US$ 50 milhões. Durante mais de quatro horas de depoimento, Delúbio voltou a poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, insistiu em que era o único responsável pelas finanças do PT e chegou a provocar risos ao afirmar desconhecer como funcionava o caixa dois dos partidos.
No começo da sessão, o ex-tesoureiro se recusou a assinar o termo em que se comprometeria a só dizer a verdade. Orientado pelo advogado César Vilardi, que se disse pago pelo PT, Delúbio não colaborou com as investigações, na opinião do relator Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Com uma manobra no plenário da CPI dos Bingos, o governo conseguiu ontem evitar a convocação do banqueiro Daniel Dantas para explicar a suposta cobrança de propina que teria sofrido do PT para facilitar interesses do grupo Opportunity no governo federal. Para o presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), o resultado equivale ao fim das investigações: ''Não se aprova mais nada.''


