Brasília - Em sua primeira entrevista após ser acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de distribuir um ''mensalão'' ao PL e ao PP em troca de apoio ao governo federal, o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, afirmou ontem que seu partido está sendo vítima de chantagem. ''O conteúdo da entrevista dada (por Jefferson), de compra de deputado, compra de voto e compra de apoio da base parlamentar, é uma ameaça que se faz ao Congresso Nacional, aos membros do Congresso Nacional e aos partidos políticos citados. Por isso, entendemos que é uma chantagem política'', afirmou Delúbio, em entrevista coletiva dada na sede nacional do PT, em São Paulo.
Evitando citar o nome do petebista, Delúbio afirmou seis vezes que o PT ''não compra votos nem apoio'' de deputados. Utilizou pelo menos 15 vezes a palavra chantagem, mas se negou a dar o nome de quem seria o chantagista. Disse que tomará judiciais contra ele.
''Estamos falando sobre a reportagem publicada (pela Folha de S.Paulo)'', disse o tesoureiro. ''Até agora tenho sido caluniado e massacrado. Não me prejulguem pela versão de uma chantagem'', afirmou o tesoureiro, que acrescentou ter colocado à disposição da Justiça seus sigilos bancários e fiscal. ''Não tenho medo de qualquer investigação.'' A abertura do sigilo não será extensiva às contas do partido.
Quando foi perguntado sobre seu suposto envolvimento no pagamento aos parlamentares, respondeu sempre em nome do partido. ''O PT não se rende nem se vende.'' O tesoureiro afirmou ter ouvido falar pela primeira vez no termo ''mensalão'' no final do ano passado, após uma reportagem do ''Jornal do Brasil''.
Disse ainda que nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o ministro José Dirceu (Casa Civil), ambos procurados por Jefferson, comentaram as acusações com ele. ''Li no jornal (Folha de S.Paulo) que eles haviam sido procurados (por Jefferson)''.
Questionado se concordaria em ficar frente a frente com Jefferson, numa eventual acareação, respondeu prontamente que não. Depois, afirmou que ''não se trata disso nesse momento'' e completou: ''Isso é tarefa da investigação. Em tendo investigação em foro correto, sim (aceito)''.
O petista relatou ainda ter sofrido ameaças há um ano e meio, o que justificaria o reforço de sua segurança.
Questionado sobre o fato de ter recebido dirigentes de partidos aliados em sua casa, em São Paulo, Delúbio titubeou. Primeiro, disse que não. Depois, que não se lembrava. Após insistência dos repórteres, que citaram o presidente do PL, deputado Valdemar da Costa Neto (SP), o tesoureiro admitiu ter, sim, recebido dirigentes.

mockup