Brasília - O tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares, é o responsável pela gerência de um orçamento de R$ 48 milhões para este ano. Desse total, quase R$ 19 milhões vêm do dízimo cobrado, pelo partido dos parlamentares, ministros e ocupantes de cargos de confiança. Cifras milionárias fazem parte da rotina de Soares. Para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, a máquina sob o comando do tesoureiro nacional do PT arrecadou R$ 33 milhões.
Desde que Lula tomou posse, Soares tem desempenhado o papel de figura controversa. Mesmo sem ter cargo formal no governo, ele frequenta o Palácio do Planalto. Soares combina duas tarefas cuja mistura tende a produzir dificuldades: a coordenação do preenchimento de cargos de confiança na administração federal e a arrecadação de fundos para a legenda.
O caixa da sigla esteve no centro de episódios controversos. Em 2004, organizou, em Brasília, um show da dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano com o objetivo de arrecadar dinheiro para a agremiação. Só que se descobriu, posteriormente, que o espetáculo fora financiado pelo Banco do Brasil (BB) - e a operação teve de ser desfeita. Também trouxeram constrangimento para o tesoureiro nacional as investigações sobre as atividades da máfia dos vampiros, quadrilha que fraudava licitações do Ministério da Saúde. Ao depor na Polícia Federal (PF), um dos envolvidos citou Soares como beneficiário do esquema - fato que nunca foi comprovado. Por acontecimentos desse tipo, o tesoureiro passou a ser comparado com o empresário Paulo César Farias, o PC, célebre tesoureiro de Collor. Mas, não surgiram provas de conduta ilegal de Soares.
O presidente nacional do PT, José Genoino, negou ontem a existência do ''mensalão'' a congressistas em troca de apoio político. Em nota, Genoino disse que o PT recebeu as declarações de Jefferson com ''surpresa e indignação'', e que as afirmações feitas por ele à Folha de S.Paulo ''não têm o mínimo fundamento na realidade''. Genoino disse que o partido não está envolto em um ''mar de lama'', expressão usada por um repórter ao perguntar se o PTB deveria deixar a base aliada. ''O PT não está em um mar de lama. Nem o PT nem o governo nem os aliados que apóiam o governo Lula. Nós estamos com boas relações com grande parte do PTB, dos dirigentes, dos deputados'', disse Genoino, sob a justificativa de que a composição da base é assunto de governo, não do PT.

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