Brasília - Ao responder à indagação do deputado João Corrêa (PMDB-AC) sobre a participação do partido no caixa dois do PT, o ex-secretário de Finanças e Planejamento da legenda Delúbio Soares disse, durante a acareação promovida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do ''Mensalão'', que era o deputado José Borba (PMDB-PR), para o qual foram destinados R$ 2,1 milhões, quem fazia os contatos com ele. Corrêa quis saber quem tinha indicado Borba. ''Foi o líder Eunício que indicou o José Borba para fazer as negociações com o PT'', respondeu Delúbio. Em seguida, ele tentou corrigir-se. Delúbio disse que nem o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) nem o presidente nacional da sigla, deputado Michel Temer (SP), tinham nada a ver com as negociações para o pagamento de campanha.
Eunício disse ontem que nunca conversou com o ex-secretário de Finanças e Planejamento do PT sobre financiamento de campanhas. ''O que posso dizer é que eu nunca indiquei ninguém para o Delúbio, nunca falei de financiamento de campanha. Só vim a conhecer o Delúbio no final de 2003, quando já estava para ir para o governo. Ele e o José Dirceu (deputado do PT de São Paulo) apoiaram o Barbosa Neto (hoje no PSB de Goiás), que disputou a liderança comigo.''
O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza voltou a dizer, no final da acareação, que o deputado José Dirceu (PT-SP) sabia dos empréstimos para o caixa 2 do PT quando era ministro da Casa Civil. ''Que garantias o senhor tinha de que o empréstimo seria pago?'', perguntou a deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP). ''Sílvio Pereira e Delúbio me falaram que o ex-ministro José Dirceu sabia da operação'', respondeu Marcos Valério.

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