Delúbio admite ajuda a campanhas do PR
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quinta-feira, 21 de julho de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, confirmou que a Executiva Nacional do partido ajudou financeiramente as campanhas de segundo turno das eleições municipais no Paraná. A declaração foi feita no início da madrugada de ontem, já próximo ao final do depoimento prestado pelo petista à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. A declaração foi dada na interpelação feita pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB).
Na ocasião, Hauly perguntou a Soares se o PT Nacional teria auxiliado financeiramente as campanhas do segundo turno municipal em Londrina, Curitiba, Maringá e Ponta Grossa. O ex-tesoureiro admitiu a ajuda, uma vez que haveria ''interesse nessas cidades''. Questionado então pelo parlamentar se o dinheiro era fruto de caixa dois, Soares esquivou-se. ''Isso é o senhor quem está afirmando.''
As respostas também a respeito de contratos publicitários de Duda Mendonça na campanha de Curitiba parecem não ter convencido Hauly, que ontem à noite criticou o comportamento do ex-tesoureiro. ''Apesar das nossas insistências, ele foi reticente demais, não nos fez acreditar que não houve caixa dois no Paraná. Se a maioria do capital das campanhas do PT em 2004 veio de verba não capitalizada, pode ter ido para esses quatro municípios também'', considerou.
O deputado promete questionar a prestação de contas do PT junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e, paralelamente, iniciar o debate sobre a antecipação das eleições federais e estaduais de 2006. ''Se estivéssemos no regime parlamentarista, todo o Parlamento teria caído com denúncias dessa gravidade'', comparou.
Tesoureiro do PT em Londrina e da campanha pela reeleição do prefeito Nedson Micheleti, Francisco Moreno garantiu que o único auxílio financeiro emitido pelo diretório nacional veio na forma de camisetas 20 mil unidades, a um custo total declarado de R$ 82 mil. ''Eles próprios mandaram confeccionar essas peças e nos doaram, mas dinheiro, mesmo, nunca veio'', garantiu Moreno, que ressalvou haver hoje uma dívida de R$ 60 mil com a Executiva Estadual.
O presidente estadual da sigla, deputado André Vargas, negou qualquer possibilidade de caixa dois no diretório regional, mas admitiu ter havido verbas da matriz nas campanhas de Londrina. ''Não foi dinheiro, mas camisetas em Londrina, e contratação de shows para a campanha de Ângelo Vanhoni, em Curitiba o que, aliás, está nos R$ 7 milhões em shows que o PT já admitiu dever'', resumiu. Vargas não soube informar quais doações foram feitas ao segundo turno de Maringá e Ponta Grossa respectivamente perdido por João Ivo Caleffi e Péricles Holleben de Melo , uma vez que ''as executivas municipais são autônomas, têm CNPJ próprio e não são obrigadas a nos informar disso''.
A Folha tentou contato com tesoureiros das outras três cidades citadas, mas eles não foram encontrados.


