O procurador teria conversado com sua esposa sobre a iniciativa: “É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade", escreveu
O procurador teria conversado com sua esposa sobre a iniciativa: “É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade", escreveu | Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo

São Paulo - Mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e analisadas em conjunto com a Folha de S.Paulo apontam que o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, articulou com um colega da Lava Jato a constituição de uma empresa na qual eles não apareceriam formalmente como sócios, para evitar questionamentos legais e críticas.

Conforme as mensagens, a justificativa da iniciativa foi apresentada por Deltan em um diálogo com a mulher dele. "Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade", escreveu.

Os procuradores cogitaram ainda uma estratégia para criar um instituto e obter elevados cachês. "Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários", comentou Deltan no grupo com um integrante da força-tarefa.

A lei proíbe que procuradores gerenciem empresas e permite que essas autoridades apenas sejam sócios ou acionistas de companhias.

A revelação das novas mensagens levou partidos de esquerda a planejarem nova investida para a punição dele no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). As bancadas do PSOL e do PT na Câmara dos Deputados disseram que entrarão com reclamação disciplinar contra Deltan no Conselho.

Deltan, por outro lado, recebeu apoio neste domingo (14) do Vem Pra Rua, movimento defensor da força-tarefa e que participou de manifestações em apoio à Lava Jato no mês passado.

O Conselho Nacional do Ministério Público chegou a arquivar, no final de junho, uma investigação contra Deltan e demais procuradores da força-tarefa da Lava Jato, depois da revelação pelo Intercept de outras mensagens trocadas entre eles e com Sergio Moro, ex-juiz e atual ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro.

Deltan afirma que realiza palestras para promover a cidadania e o combate à corrupção e que esse trabalho ocorre de maneira compatível com a atuação no Ministério Público Federal.

Em nota, os integrantes da força-tarefa da Lava Jato declararam que "não reconhecem as mensagens que têm sido atribuídas a eles" e que "esse material é oriundo de crime cibernético e não pôde ter seu contexto e veracidade comprovado".

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