Candidato a deputado federal mais votado no Paraná com quase 345 mil votos e o terceiro mais lembrado entre os eleitores londrinenses, Deltan Dallagnol (Pode) visitou a Sociedade Rural do Paraná na noite desta quinta-feira (27), no Parque Governador Ney Braga, em Londrina, onde se reuniu com empresários para ouvir propostas para a região. O deputado eleito ainda cumpriu agenda em Arapongas e Maringá durante o dia.

O ex-coordenador da Lava Jato participou ontem à noite de encontro com lideranças na Sociedade Rural do Paraná
O ex-coordenador da Lava Jato participou ontem à noite de encontro com lideranças na Sociedade Rural do Paraná | Foto: Roberto Custódio

O ex-procurador da Operação Lava Jato recebeu 14.625 votos em Londrina e questionado pela FOLHA sobre os projetos para a região não deu detalhes sobre as propostas, mas ressaltou que foi eleito por conta da bandeira da anticorrupção. “Essa é uma vitória da causa. As pessoas querem o combate à corrupção para que o dinheiro chegue em quem mais precisa nas áreas como educação, saúde e segurança. Isso fez com que o projeto que eu represento recebesse votos nos 399 municípios do Paraná”, comentou.

A reportagem também o questionou se as emendas do Orçamento Secreto aprovadas pela base de apoio do governo de Jair Bolsonaro na Câmara Federal configuram a institucionalização da compra de bancada parlamentar, como ocorreu no mensalão petista. O futuro deputado federal respondeu que a prática é um “modo de gerenciar emendas parlamentares para atrair o apoio da bancada”, mas não é ilegal, apesar de necessitar de melhorias no processo.

“Precisa ter mais transparência e revisar o modelo das emendas para que sejam gerenciadas em cima de políticas públicas pelos gestores públicos e, não por parlamentares, mas não é uma questão de ilegalidade. O Orçamento Secreto não é ilegal, diferente do que aconteceu no Mensalão e Petrolão, que foram atos de corrupção, desvios de dinheiro público para comprar apoio parlamentar, além do uso desses recursos para campanhas eleitorais”, relativizou o ex-procurador, que apoia a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Deltan Dallagnol comentou que qualquer presidente precisa do apoio do Congresso para governar, mas que os parlamentares deveriam atuar e votar conforme os seus princípios de maneira independente. “Enquanto o brasileiro votar em gente que atua no toma lá dá cá isso não vai mudar, pois os parlamentares apoiam o governo quando eles conseguem benefícios como emendas”, disse.

Além disso, ele afirmou que é necessário acompanhar a chegada dos recursos na ponta, mesmo nos casos das emendas individuais para evitar desvios de dinheiro público. “Esse é um problema que tem relação com orçamento de maneira geral. Não tem relação com esse ou com outro governo. Então o que precisa ser feito é fiscalizar os recursos e penalizar os desvios”, acrescentou.

PESOS E MEDIDAS

Deltan também justificou o apoio à reeleição de Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, que será disputado no próximo domingo (30). “Eu tenho ressalvas e críticas ao governo Bolsonaro, mas não tenho dúvida de que a pior coisa que pode acontecer para o Brasil é o retorno do PT e de Lula para a cena do crime.”

Sobre os escândalos de corrupção na família Bolsonaro, como compra de 51 imóveis com dinheiro vivo e “rachadinha” de salários de assessores parlamentares, ele respondeu que existem "diferenças" entre as suspeitas contra o presidente e os casos de corrupção envolvendo o PT.

“Primeiro, uma diferença de prova, pois o atual presidente jamais foi acusado por corrupção, quando o outro foi condenado em três instâncias. Em segundo lugar, existe uma diferença de volume. Em relação aos potenciais desvios investigados neste momento, são de milhares ou milhões de reais, enquanto no governo do PT foi de bilhões desviados”, contemporizou o deputado eleito, que a despeito da defesa de Bolsonaro garantiu uma posição de independência no Congresso Nacional, caso o titular do Planalto seja reeleito.

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