São Paulo - Um dos pais do ''déficit nominal zero'', projeto voltado para o desenvolvimento econômico tão sonhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Delfim Netto é visto em Brasília como possível candidato a uma vaga no novo ministério. ''Lula quer lhe dar um posto, nem que seja de ministro da Agricultura'', afirma um dos articuladores do governo, referindo-se a um ministério que Delfim ocupou no início do governo João Figueiredo, que mais tarde lhe entregou o comando da economia. ''A idéia é que o PT pode resistir no início, em função do passado, mas depois aceitará.''
Aos 79 anos, Delfim é um conselheiro influente no Planalto. É ouvido em temas específicos, como alíquotas de imposto ou complicações numa medida provisória. Também é convidado para comparecer ao gabinete presidencial para falar sobre o futuro.
Delfim entra e sai do Planalto pela garagem subterrânea, reservada às autoridades da casa. Derrotado na campanha para deputado, virou convidado de Lula nos palanques do segundo turno. Lula disse que o ''preconceito da elite'' levou Delfim à derrota.
Um assessor acredita que, ao trocar o PP, herdeiro da Arena do regime militar, pelo PMDB de Orestes Quércia, Delfim fez um movimento que o eleitor não entendeu e por isso foi abandonado. O próprio Delfim diz que derrota ''é como desastre de avião: deve-se a um conjunto de fatores''.
Delfim assegura que não tem interesse num emprego de ministro, de onde saiu execrado no fim do regime militar, ainda que seu nome esteja associado ao milagre econômico, quando o País crescia 10% ao ano. Mesmo recordando que ''foi nesse tempo que o metalúrgico Lula comprou um Volks'', Delfim diz: ''Meu tempo já passou.''
Um ministro considera que, em função da idade, falta a Delfim disposição para cumprir funções de ''carregador de ministério'': fazer reuniões, viajar o tempo inteiro, cobrar resultados, fazer planos e ouvir cobranças do presidente, numa rotina pesada e cansativa.

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